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Governo Trump defende OpenAI em disputa com o New York Times

03/09/2026
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O governo do presidente Donald Trump apresentou uma intervenção de caráter extraordinário no processo judicial que opõe o The New York Times à OpenAI, posicionando-se ao lado da empresa de inteligência artificial, avaliada em US$ 852 bilhões, e rejeitando as alegações do jornal de que houve violação de direitos autorais. A atuação do Executivo americano em uma disputa entre duas partes privadas é rara e amplia o alcance político do litígio. O desfecho pode definir como o conteúdo jornalístico será usado no treinamento de modelos de inteligência artificial.

A OpenAI é a empresa criadora do ChatGPT e dos modelos GPT, referência mundial em sistemas generativos capazes de produzir texto, imagem e código. O The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, acionou a companhia na Justiça em dezembro de 2023, em ação que também alcançou a Microsoft, parceira comercial e investidora da startup. O caso tramita na Justiça federal de Manhattan.

No centro da disputa está uma pergunta ainda sem resposta consolidada na jurisprudência dos Estados Unidos: se o treinamento de modelos de linguagem com material protegido por direitos autorais constitui prática permitida ou se exige licenciamento e pagamento aos titulares das obras.

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O jornal alega que milhões de suas reportagens foram copiadas e incorporadas às bases de treinamento dos sistemas da OpenAI sem autorização e sem compensação financeira. Para o veículo, essa prática compromete o modelo econômico do jornalismo, já que assistentes de IA podem entregar informações extraídas de suas matérias sem direcionar leitores ao site original.

A defesa da OpenAI se apoia na doutrina do uso justo, princípio da legislação americana que admite o aproveitamento de obras protegidas em situações como pesquisa, crítica e criação transformadora. A empresa sustenta que seus modelos aprendem padrões linguísticos a partir dos textos, em vez de armazenar e reproduzir integralmente o conteúdo original.

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A manifestação do governo contra as alegações do jornal reforça a posição da defesa no processo mais simbólico do embate entre a imprensa e a indústria de inteligência artificial. A intervenção é tratada como extraordinária porque o Executivo raramente toma partido em litígios entre particulares, gesto que costuma indicar que o resultado do caso afeta interesses mais amplos que os das próprias partes.

O valor de US$ 852 bilhões atribuído à OpenAI dimensiona o peso econômico envolvido na disputa. A cifra consolidou a posição da empresa como uma das mais valiosas do mundo entre as companhias de capital fechado, resultado da adoção em massa do ChatGPT desde o lançamento do assistente, ao final de 2022.

O litígio com o jornal nova-iorquino integra um conjunto mais amplo de ações judiciais movidas nos Estados Unidos por autores, veículos de comunicação e empresas de conteúdo contra desenvolvedores de modelos de inteligência artificial. As decisões desses processos devem orientar como a indústria tratará dados protegidos nas próximas gerações de sistemas.

O posicionamento do governo Trump se alinha à agenda pública de priorizar o desenvolvimento da inteligência artificial nacional, com estímulo a investimentos em infraestrutura de computação e energia. Para o setor, o caso deve definir se o uso de conteúdo publicado na internet exige contratos e pagamentos ou se permanece acessível como matéria-prima de treinamento.

A OpenAI já firmou acordos de licenciamento de conteúdo com outros grupos de imprensa ao redor do mundo. Esses contratos convivem com a disputa judicial, que deve estabelecer os limites entre negociação voluntária e obrigação legal.

Para os grupos de comunicação, o processo representa uma defesa da remuneração pelo trabalho jornalístico em um cenário em que assistentes de IA concentram atenção e receita. Para as empresas de tecnologia, o julgamento define os parâmetros jurídicos de uma prática já consolidada na indústria: o consumo massivo de textos publicados na web como insumo de aprendizado de máquina.

A intervenção do Executivo acrescenta uma dimensão política a um julgamento que já envolve alguns dos principais interesses econômicos da economia digital americana, com a Casa Branca explicitando sua preferência pelo lado defendido pela OpenAI.

O caso segue em tramitação, sem data definida para sentença. Enquanto o tribunal não se pronuncia sobre o mérito, empresas de inteligência artificial e redações seguem operando em um ambiente regulatório incerto sobre o uso de conteúdo protegido.

O resultado deve orientar contratos, investimentos e arquiteturas de treinamento de modelos nos próximos anos, com efeitos diretos sobre quem produz informação e sobre quem desenvolve as tecnologias que a consomem em escala.

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