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Antes da IA, a faxina digital: como a Jabil transformou a simplificação de sistemas em vantagem competitiva

02/09/2026
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Jabil adota estratégia "simplificar antes de inovar" para preparar base de inteligência artificial

A Jabil, fabricante global com mais de 100 unidades distribuídas em mais de 30 países, está conduzindo um processo de transformação digital baseado em uma premissa pouco convencional no setor de tecnologia: antes de adotar novas ferramentas, é preciso reduzir a complexidade existente. A abordagem, descrita pelo diretor de TI da Jabil para soluções SAP, Harish Manohar, como "simplificar primeiro, depois inovar", coloca a integração de sistemas como etapa obrigatória antes de qualquer iniciativa envolvendo inteligência artificial.

Com cerca de 140 mil colaboradores e mais de 60 anos de atuação, a empresa atende mais de 400 das maiores marcas mundiais em diferentes segmentos industriais. Ao longo das décadas, cada planta da Jabil acabou desenvolvendo ferramentas próprias, fluxos manuais e planilhas para suprir necessidades locais. Com o crescimento da operação, esse cenário gerou um passivo tecnológico acumulado em 25 anos, marcado por sistemas legados, processos desconectados e dados espalhados em silos que dificultavam a tomada de decisão.

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Segundo Manohar, a complexidade acumulada limitava a capacidade da empresa de identificar problemas com antecedência, coordenar respostas em diferentes regiões e escalar soluções de forma consistente. A integração passou a ser tratada como prioridade estratégica justamente para estabelecer uma base única e confiável de dados, considerada por ele como o alicerce de qualquer organização contemporânea.

A estratégia da Jabil se apoia na SAP Integration Suite, plataforma que centraliza as conexões entre sistemas e permite a desativação gradual de ferramentas fragmentadas. A empresa também adota uma arquitetura orientada por APIs, que são interfaces de programação que permitem a comunicação entre diferentes sistemas de forma padronizada, e baseada em eventos, na qual os sistemas reagem automaticamente a ocorrências em tempo real. Essa combinação evita a movimentação constante de dados entre plataformas e reduz redundâncias operacionais.

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Para Manohar, qualquer inovação implementada sobre uma base não simplificada tende a aumentar a complexidade em vez de reduzi-la. Por isso, a Jabil adota uma abordagem chamada "clean core", que busca limitar personalizações excessivas nos sistemas centrais. A migração para o ambiente RISE, solução da SAP que oferece infraestrutura em nuvem e gestão unificada do sistema, faz parte desse esforço de padronização, acompanhado por novas regras de governança que avaliam cada customização antes de aprová-la.

O processo de padronização não é simples. As mais de 100 unidades da Jabil operam com diferentes níveis de maturidade, sistemas legados e workflows locais, além de estarem sujeitas a regulamentações específicas em setores altamente regulados. A empresa trabalha com uma meta inicial de unificar processos em mais de 40 plantas, buscando substituir um modelo operacional site a site por uma abordagem de capacidade empresarial compartilhada.

Os efeitos dessa transformação já aparecem no dia a dia dos profissionais. Antes da integração, compradores, planejadores de estoque e analistas financeiros precisavam conciliar dados manualmente entre múltiplas ferramentas. Com os fluxos integrados, os times passaram a acessar uma fonte única de informação, reduzindo o tempo gasto em reconciliação e deslocando o foco da busca por dados para a análise de insights.

Outro benefício destacado está na visibilidade em tempo real dos eventos da cadeia de suprimentos, fator crítico para uma fabricante global. A empresa implementou workflows unificados que permitem identificar com mais agilidade a falta de materiais nas linhas de produção e ajustar o planejamento de forma mais rápida diante de interrupções.

Com a base de integração consolidada, a Jabil passa a explorar aplicações concretas de inteligência artificial. Entre as frentes em desenvolvimento estão análises preditivas da cadeia de suprimentos, tratamento inteligente de exceções em operações de planta e planejamento assistido por IA. Para Manohar, esses projetos só se tornam viáveis quando os dados circulam de forma confiável entre os sistemas e podem ser acionados em múltiplos ambientes da operação.

A orientação da empresa para outros líderes que enfrentam proliferação de ferramentas é direta: priorizar integração desde o início, construir uma fonte única de verdade para os dados, investir em arquitetura escalável e manter o foco em resultados mensuráveis, como velocidade, visibilidade e resiliência operacional. Para Manohar, a mensagem central resume a filosofia da Jabil. A simplicidade em escala, segundo ele, é uma vantagem competitiva relevante, e os investimentos em tecnologia precisam estar inevitavelmente conectados ao valor gerado para o negócio.

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