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Doroth capta R$ 23 milhões e vai construir a primeira fábrica de chips microfluídicos da América Latina

02/09/2026
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Doroth capta R$ 23 milhões em rodada liderada pela Loccus para industrializar diagnóstico molecular no Brasil

A Doroth, empresa de tecnologia de base científica especializada em plataformas de laboratório em chip, dispositivos que miniaturizam etapas de laboratório em um único chip para diagnóstico molecular, captou R$ 23 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Loccus, companhia brasileira de biotecnologia, instrumentação e diagnóstico molecular. O aporte combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp, duas agências públicas de incentivo à ciência e à inovação.

A motivação da operação, segundo Eduardo Araújo, presidente da Loccus, está na complementaridade entre as duas companhias. Ele explica que a Loccus possui capacidade de produção e de inovação, com foco forte em saúde humana e saúde animal, enquanto a Doroth reúne um grande estoque de conhecimento científico formado por pesquisadores qualificados, embora não tenha capacidade produtiva para escalar suas invenções. Em compensação, a Doroth demonstra boa competência na captação e na redação de projetos para obter recursos de fomento.

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A partir dessa combinação de habilidades, os recursos serão destinados à expansão da estrutura de pesquisa, desenvolvimento e produção da empresa, incluindo a implantação de uma indústria de chips microfluídicos com reagentes proprietários embarcados. A proposta é transformar tecnologias desenvolvidas integralmente no Brasil em produtos fabricados em escala, reduzindo a dependência de reagentes e sensores importados e ampliando o acesso do agronegócio a diagnósticos moleculares descentralizados.

"Unindo as empresas, a gente cria um time imbatível. Temos as melhores cabeças criativas dos dois lados, um processo produtivo que atende as duas empresas e canais de distribuição que serão utilizados pela Doroth", afirma Eduardo. No novo arranjo, a empresa ficará concentrada no desenvolvimento de produtos e na captação de recursos, enquanto a Loccus contribuirá com fabricação, integração de tecnologias já existentes em seu portfólio, infraestrutura, conhecimento científico, capacidade industrial e suporte regulatório.

Com a integração das estruturas, a expectativa é encurtar o caminho entre o desenvolvimento das tecnologias e a chegada ao mercado. A companhia também pretende acelerar a criação de novos testes, ampliar a produção de equipamentos, chips e reagentes e fortalecer uma cadeia tecnológica nacional que vai de enzimas e ensaios moleculares a sensores, instrumentos automatizados e consumíveis microfluídicos.

Fundada em 2019, com sede em Piracicaba, no interior paulista, a Doroth reúne competências em biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação e software. Suas plataformas integram, em equipamentos compactos e automatizados, etapas que hoje dependem de laboratório, como preparação de amostras, extração de material genético, amplificação e leitura de resultados. As soluções são aplicadas à identificação de patógenos, microrganismos, organismos geneticamente modificados e genes de resistência em amostras como folhas, sementes, grãos, leite e carne.

As tecnologias podem ser usadas em diferentes etapas da cadeia do agronegócio, da sanidade vegetal e animal à qualidade de matérias-primas, rastreabilidade e controle de processos agroindustriais. A plataforma também permite detectar vírus, bactérias e outros agentes infecciosos em insetos vetores, como a cigarrinha-do-milho, relevante para a sanidade agrícola, e o Aedes aegypti, associado à saúde pública. A empresa já desenvolve projetos com grandes companhias do setor agro.

Para Rodrigo Gurdos, fundador e diretor de Novos Negócios da Doroth, a parceria com a Loccus marca a passagem de uma fase concentrada em pesquisa e validação para uma etapa de produção em escala industrial. Um dos principais investimentos será a construção da primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina. "Teremos a primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina, com capacidade de produzir até 4 milhões de chips por ano", afirma o executivo.

A planta será totalmente automatizada, com robôs de precisão para a manipulação de esferas liofilizadas, que contêm reagentes desidratados usados nos testes, e produção autossuficiente de enzimas proprietárias para as técnicas de qPCR, LAMP e Extreme PCR, métodos de amplificação de material genético empregados no diagnóstico molecular. A estrutura contará ainda com produção dessas esferas e uma esteira equipada com robôs delta para a montagem dos chips sem manipulação humana. A capacidade instalada deve atender à primeira fase de expansão da empresa no mercado agro. Entre os produtos viabilizados pela nova fábrica está a enzima Extreme PCR, capaz de entregar resultados em menos de cinco minutos.

A operação também amplia a estratégia da Loccus de crescimento por meio de iniciativas de inovação aberta, construção de novos negócios e capital de risco corporativo, com os programas Bios e Nanos. Desde a criação dessas frentes, mais de 20 empresas de tecnologia profunda já foram selecionadas para integrar o ecossistema da companhia. O Bios é voltado a negócios de biotecnologia, saúde, agronegócio, diagnóstico molecular e bioeconomia, enquanto o Nanos concentra-se em nanotecnologia, materiais avançados e tecnologias de alta complexidade, conectando empresas, pesquisadores, instituições científicas e indústria.

A rodada contou com o suporte da MOA Ventures, que assessorou a Loccus na estruturação do aporte e também coordena os programas Bios e Nanos. Do lado da Doroth, a operação foi assessorada pela S4 Consultoria, que atuou como assessora financeira exclusiva na estruturação, negociação e fechamento do negócio. Com o aporte, a empresa paulista avança do ambiente acadêmico para a produção industrial, apostando em tecnologia nacional para reduzir a dependência externa e ampliar o alcance dos diagnósticos moleculares no campo.

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