PUBLICIDADE

Bill Gates alerta para riscos da IA e defende imposto sobre uso

27/08/2026
5 visualizações
4 min de leitura
Imagem principal do post

Bill Gates, cofundador da Microsoft e uma das figuras mais influentes da história da tecnologia, mudou de tom sobre a inteligência artificial e passou a alertar publicamente para riscos concretos do avanço acelerado da tecnologia. Em entrevista ao jornal New York Times, o bilionário afirmou que a indústria de tecnologia está subestimando os perigos envolvidos e advertiu sobre a possibilidade de uma onda de desemprego em massa caso medidas de contenção não sejam adotadas.

A mudança de discurso é significativa para quem acompanha o setor. Gates, que ao longo dos últimos anos se posicionou como um entusiasta da inteligência artificial e de seu potencial para áreas como saúde e educação, agora defende intervenção direta dos governos para limitar os efeitos negativos da automação. Entre suas propostas estão a criação de um imposto sobre o uso da tecnologia e a definição de funções que não poderiam ser exercidas por sistemas de IA.

Imagem complementar

Segundo Gates, as empresas do setor estão acelerando o desenvolvimento da inteligência artificial porque há muito dinheiro em jogo, mesmo diante de riscos que antes eram considerados motivos para cautela. Em conversas privadas, disse ele, executivos demonstram preocupação com o rumo da tecnologia, mas evitam falar publicamente sobre o assunto para não prejudicar seus negócios nem sua capacidade de levantar investimentos.

PUBLICIDADE

O cofundador da Microsoft reconheceu que os avanços recentes da inteligência artificial superaram suas próprias expectativas. "Em particular, as pessoas que entendem o quão boa essa tecnologia é e o quanto está melhorando estão muito preocupadas", afirmou Gates. Aos 70 anos, ele sustenta que cabe aos governos adotar medidas para conter os efeitos negativos da tecnologia sobre a sociedade.

A proposta central de Gates envolve a criação de um imposto sobre o uso de inteligência artificial, calculado a partir dos chamados tokens, unidades básicas de processamento utilizadas pelos sistemas de IA para gerar respostas e executar tarefas. A ideia é tornar a substituição de trabalhadores por máquinas mais cara e destinar os recursos arrecadados para ajudar as pessoas afetadas pelo avanço da automação.

Além do tributo, Gates defende que algumas atividades sejam classificadas como "Human Reserved", expressão que define funções reservadas a seres humanos e protegidas da substituição por inteligência artificial. O bilionário cita como exemplo ocupações que envolvem relações profundamente pessoais, como a de cuidadores. A justificativa é que, em determinadas áreas, os trabalhadores dispensados pela automação teriam poucas alternativas para encontrar emprego em outros setores.

Na avaliação de Gates, a atual onda de automação guarda diferenças estruturais em relação às revoluções tecnológicas anteriores. No passado, disse ele, as novas atividades criadas acabaram gerando empregos suficientes para compensar parte das vagas eliminadas. Desta vez, a inteligência artificial pode se espalhar simultaneamente por diferentes setores da economia, reduzindo a capacidade de outras áreas de absorver os trabalhadores dispensados. "O que está acontecendo com a IA é completamente diferente", afirmou.

As preocupações do bilionário não se limitam ao mercado de trabalho. No campo da segurança, Gates defende a negociação de acordos internacionais capazes de estabelecer critérios de monitoramento e restrição de sistemas de IA que possam contribuir para o desenvolvimento de armas biológicas. Em sua avaliação, sistemas cada vez mais avançados tendem a reduzir as barreiras para que pequenos grupos desenvolvam novos agentes patogênicos.

Por isso, ele propõe avaliações obrigatórias para modelos de inteligência artificial que apresentem capacidade de contribuir para a criação de moléculas potencialmente perigosas. Gates também criticou a aposta da indústria e do governo americano em mecanismos voluntários de segurança. Para ele, os riscos associados aos sistemas mais avançados exigem regras obrigatórias, e não apenas compromissos assumidos pelas próprias empresas.

A posição atual representa uma virada para um dos principais nomes da história da indústria de software. Gates afirmou que ficou particularmente impressionado com a evolução dos sistemas de inteligência artificial dedicados à programação. Segundo ele, ferramentas recentes da Anthropic, empresa de IA criadora do assistente Claude, chegaram a apresentar capacidades superiores às suas em uma área que considera ser aquela que melhor conhece.

Apesar das críticas, Gates não defende a interrupção do desenvolvimento da inteligência artificial. Sua preocupação está concentrada na velocidade da adoção da tecnologia e na ausência de mecanismos capazes de distribuir os ganhos da automação e de limitar seus efeitos negativos sobre a população.

O bilionário pretende levar o tema às reuniões que mantém com líderes mundiais e colocar a inteligência artificial entre suas principais prioridades, ao lado das questões relacionadas à saúde global. Para Gates, a tecnologia pode gerar avanços importantes, mas o setor precisa reconhecer que a inovação também pode produzir consequências negativas em escala global.

PUBLICIDADE

Leitura recomendada

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!