Motorola prepara celulares com Android superseguro para 2027, mas preço ficará acima do Pixel 11
A GrapheneOS Foundation revelou novos detalhes sobre sua parceria com a Motorola e confirmou que os primeiros aparelhos com suporte completo ao seu sistema operacional estão programados para chegar em 2027. Segundo a desenvolvedora, os dispositivos serão modelos de topo de linha, com especificações superiores às da família Pixel, do Google, e também com preços mais elevados. A confirmação aconteceu nesta sexta-feira (21/08), por meio de uma conversa na rede social Mastodon, na conta oficial da organização.
Para dimensionar o custo esperado, a linha Pixel 11, lançada nos Estados Unidos em 12 de agosto, tem preços que variam entre 900 e 1.300 dólares, o equivalente a algo entre 4.625 e 6.681 reais em conversão direta. No mercado americano, para efeito de comparação, um Galaxy S26 custa 900 dólares, enquanto o iPhone 17 é vendido por 800 dólares. Isso indica que os futuros aparelhos da Motorola com suporte ao sistema seguro deverão ocupar a faixa mais alta do mercado de smartphones.
Um ponto importante esclarecido pela GrapheneOS é que os celulares da Motorola não sairão de fábrica com o sistema já instalado, mas contarão com suporte completo a ele. Até o momento, apenas a linha Pixel oferecia essa possibilidade, por ser a única que atendia aos rigorosos requisitos de hardware estabelecidos pela desenvolvedora para garantir o máximo de segurança e privacidade aos usuários. A parceria entre as duas companhias foi anunciada originalmente em março de 2026.
O GrapheneOS é um sistema operacional para celulares livre e de código aberto, baseado no Android Open Source Project, conhecido pela sigla AOSP, que é a versão de código aberto do Android mantida pelo Google. Ele vem sem aplicativos e serviços da gigante das buscas, como Gmail, Drive, Fotos e o Google Play Services. O usuário que quiser utilizar esses programas tem a opção de instalá-los em um ambiente virtual isolado do restante do sistema, técnica que impede o acesso amplo aos dados do aparelho.
Entre os recursos avançados de segurança, o sistema oferece uma senha alternativa para a tela de bloqueio que, quando digitada, apaga todos os dados do dispositivo. Ele também tem foco na correção de falhas contra vulnerabilidades zero-day, aqueles problemas descobertos antes mesmo de existir correção oficial, além de entregar patches de segurança mais amplos, permitir desativar aplicativos do sistema e dar controle avançado sobre permissões de rede e sensores.
Segundo a fundação, aparelhos mais baratos levarão mais tempo para atender aos requisitos necessários, justamente por não oferecerem recursos de segurança e atualizações equivalentes. A explicação aponta para a forma como a Qualcomm, fabricante dos chips Snapdragon, trata a questão. Os modelos mais recentes de topo de linha equipados com esses processadores têm os melhores recursos de proteção, e a GrapheneOS também dependerá de a Motorola passar a pagar à Qualcomm para que dispositivos de categorias inferiores recebam atualizações por um período mais longo. Como referência, a linha Motorola Signature, topo de linha da marca, oferece sete anos de atualizações.
A posição da fabricante sobre atualizações em celulares de entrada e intermediários ficou clara em março de 2026, durante uma conversa com a imprensa. O presidente da Motorola, Sérgio Buniac, afirmou que "atualizações não são necessariamente boas" para esses aparelhos. Segundo ele, se sete atualizações fossem colocadas em um Moto G, talvez, no final, elas estivessem lá pelo motivo errado, já que há reclamações de quedas no desempenho dos dispositivos mais baratos após receberem as novidades.
Na mesma ocasião, o executivo destacou o acordo com a GrapheneOS Foundation e a importância do sistema para a marca. Buniac classificou a plataforma como o sistema operacional mais seguro do mundo e avaliou que trazer elementos dele para dentro do Android tradicional, tornando-o mais seguro, seria um ganho ainda maior do que simplesmente estender o prazo de atualizações.
Um episódio recente mostrou na prática o alcance dessas ferramentas. Em julho de 2026, autoridades dos Estados Unidos abordaram o usuário Sam Tunick no aeroporto de Atlanta e exigiram o código de desbloqueio do aparelho. Ele recorreu à combinação alternativa do GrapheneOS, que apagou os dados do dispositivo na hora. Como consequência, Tunick agora responde a acusações de destruição de provas e desrespeito a autoridades.
O cenário desenhado pela parceria indica que o Android sem os serviços do Google deixará de ser exclusividade dos aparelhos Pixel a partir de 2027, quando os primeiros celulares da Motorola com suporte completo ao GrapheneOS chegarem ao mercado. O caminho, porém, exige paciência e orçamento: os modelos iniciais serão top de linha com preços acima dos cobrados pela linha Pixel 11, enquanto os dispositivos mais acessíveis ainda dependerão de negociações envolvendo Qualcomm e atualizações para atender aos padrões exigidos pela fundação.