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A Jornada de MMX: A Missão Japonesa que Pode Revelar os Segredos da Origem da Vida no Sistema Solar

20/08/2026
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Missão japonesa MMX vai coletar amostras em Fobos para investigar a origem da vida no Sistema Solar

O Japão está preparando a missão Martian Moons eXploration, conhecida pela sigla MMX, que será lançada nos próximos meses do Centro Espacial de Tanegashima com o objetivo de coletar material da superfície de Fobos, a maior das duas luas de Marte. A espaçonave deverá permanecer em órbita do planeta vermelho por cerca de três anos e tentará pousar na lua marciana para reunir pelo menos 10 gramas de material antes de retornar à Terra por volta de 2031. Segundo a agência de notícias AFP, as luas de Marte podem guardar uma das respostas mais importantes da ciência: como a vida surgiu nos planetas rochosos do Sistema Solar.

A aposta científica da missão está ligada ao debate sobre a origem das luas marcianas, que conta atualmente com duas teorias principais. A primeira, chamada de hipótese do impacto gigante, sustenta que Fobos e Deimos se formaram após a colisão de um corpo celeste com Marte. A segunda, conhecida como hipótese da captura, propõe que as luas seriam asteroides originários do Sistema Solar externo que foram aprisionados pela gravidade do planeta. Confirmar qual das duas explicações é a correta tem implicações profundas para a compreensão da história do Sistema Solar.

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Se Fobos e Deimos vierem de fato do Sistema Solar externo, é possível que tenham transportado água, compostos orgânicos e outros elementos essenciais até os planetas rochosos internos, incluindo a Terra. Patrick Michel, astrofísico francês que trabalha no projeto, explicou à AFP que, se as luas forem remanescentes desses primeiros sistemas de transporte de materiais, podem conter pistas sobre as origens da vida, ou de forma mais precisa, sobre o transporte das substâncias que foram fundamentais para o surgimento da vida nos planetas rochosos.

A bordo da espaçonave viajará o rover IDEFIX, batizado com o nome francês do cachorro de Asterix, o herói gaulês dos quadrinhos. O veículo robótico fará observações diretas na superfície de Fobos. A missão também observará Deimos, a outra lua marciana, mas sem realizar pouso nela. O desafio técnico de tocar o solo de Fobos é considerado considerável, já que a gravidade na lua é extremamente baixa, o que torna qualquer aterrissagem delicada.

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Akinari Uehara, engenheiro da Mitsubishi Electric, detalhou à AFP uma das soluções adotadas para contornar o problema. Segundo ele, a equipe precisa evitar que a sonda caia, e para isso a nave conta com pernas projetadas para amortecer o impacto do pouso. A experiência japonesa em missões de coleta de amostras também pesa a favor do projeto: a sonda Hayabusa-2 retornou à Terra, em 2020, com 5,4 gramas de rocha e poeira coletadas de um asteroide.

Além dos objetivos científicos, a JAXA, a agência espacial japonesa responsável pela missão, enxerga na empreitada uma base para a futura exploração humana de Marte. A ideia da agência é utilizar Fobos como uma estação espacial natural, desenvolvendo a tecnologia necessária para uma viagem de ida e volta ao planeta vermelho, algo considerado essencial para as missões tripuladas que virão no futuro.

A MMX não está sozinha na corrida para trazer amostras do sistema marciano de volta à Terra. A China anunciou que sua espaçonave Tianwen-3 está prevista para lançamento por volta de 2028, com retorno das amostras também estimado para aproximadamente 2031, o que pode colocar a missão chinesa de volta antes da japonesa. Os Estados Unidos, por sua vez, haviam coletado amostras marcianas com o rover Perseverance, em operação desde 2021, mas a missão de retorno desse material foi efetivamente cancelada pela administração Trump após votação no Congresso americano em janeiro.

A missão japonesa é resultado de uma ampla colaboração internacional. Participam do projeto a JAXA, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES), o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), a NASA e a ESA, agência espacial europeia, além de universidades e empresas de tecnologia. Com o lançamento previsto para os próximos meses, a MMX pretende responder se as luas de Marte são fragmentos do próprio planeta ou mensageiros do Sistema Solar externo e, com isso, avançar na compreensão de como os materiais essenciais à vida chegaram aos mundos rochosos, incluindo o nosso.

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