Pesquisadores da Escola de Engenharia Química da Universidade de Adelaide desenvolveram um método inédito para produzir um composto químico importante para o armazenamento de energia a partir da ureia, substância presente na urina e amplamente conhecida na indústria. O estudo aponta uma rota para obter hidrazina de maneira diferente das formas convencionais, com potencial de aplicação em sistemas de energia emergentes e em baterias de veículos elétricos.
A hidrazina, substância central da descoberta, é um composto químico já consolidado em diferentes setores industriais. Ela é utilizada na fabricação de produtos farmacêuticos e de combustíveis para foguetes, e também aparece como componente relevante em novos sistemas energéticos e em baterias voltadas à mobilidade elétrica. Essa versatilidade explica o interesse dos cientistas em encontrar caminhos mais acessíveis e eficientes para produzi-la.
De acordo com a equipe, a estratégia criada pelos pesquisadores é de natureza eletroquímica, ou seja, baseada no uso de corrente elétrica para provocar transformações químicas. No processo descrito, a ureia é convertida em hidrazina por meio da eletricidade combinada com cloreto de sódio, o sal de cozinha comum. A abordagem transforma, portanto, uma matéria-prima simples e abundante em um insumo de alto valor para a indústria.
A pesquisa da Universidade de Adelaide ganha relevância em um contexto no qual a demanda por materiais de armazenamento de energia cresce junto com a expansão dos veículos elétricos e das fontes renováveis. Ao apresentar uma forma de gerar hidrazina a partir da ureia com apoio de eletricidade e de um sal de baixo custo, o trabalho abre caminho para repensar a cadeia de produção de insumos ligados a baterias e a outros sistemas energéticos em desenvolvimento.
Em resumo, a descoberta consiste em converter ureia em hidrazina por meio de uma estratégia eletroquímica que emprega eletricidade e cloreto de sódio. O composto resultante tem aplicações consolidadas em fármacos e combustíveis de foguetes, além de uso promissor em sistemas de energia emergentes e em baterias de veículos elétricos, conforme apontado pelos pesquisadores australianos.