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O Rombo de R$ 650 Milhões: Como Hackers Derrubaram a "Segurança Inabalável" das Carteiras Offline de Criptomoedas

06/08/2026
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Hackers exploram falha em carteiras offline e roubam mais de R$ 650 milhões em criptomoedas

Um ataque cibernético coordenado resultou no roubo de aproximadamente 2 mil bitcoins de carteiras offline fabricadas pela CoinKite, empresa responsável pelo modelo Coldcard. O montante desviado chega a cerca de US$ 130 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 650 milhões. Segundo análise da empresa de pesquisas Galaxy Research, o golpe vitimou cerca de 7,3 mil usuários e foi executado por pelo menos 12 cibercriminosos em até quatro ondas de ataques. As autoridades dos Estados Unidos já foram alertadas sobre o caso, incluindo informações sobre os atacantes e as vítimas.

As carteiras offline, também chamadas de carteiras frias, são dispositivos de hardware que armazenam a senha de acesso a criptomoedas sem manter uma conexão ativa com a internet, o que teoricamente reduz a exposição a programas maliciosos. É justamente essa característica que dá nome ao produto Coldcard. No entanto, os hackers conseguiram explorar uma vulnerabilidade no código que permitiu quebrar a proteção em larga escala, sem precisar invadir fisicamente as carteiras. A falha esteve relacionada a uma linha de código inserida no ano de 2021, que possibilitou aos criminosos descobrir como as combinações de acesso foram geradas.

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Como as criptomoedas em si permanecem registradas na rede blockchain, um sistema público de registro de transações, apenas a senha de acesso fica armazenada offline no dispositivo. Isso significa que, uma vez descoberta a forma como as combinações de senha foram criadas, os atacantes conseguiram obter o controle das contas sem necessidade de comprometer o hardware fisicamente. A primeira onda do ataque movimentou apenas 10% do volume de criptomoedas disponível nas carteiras afetadas, totalizando 1,5 mil bitcoins. Em seguida, mais contas foram comprometidas, elevando o total para aproximadamente 2 mil unidades da moeda digital.

A escolha por movimentar apenas uma fração do valor disponível nas carteiras pode ter relação com o fato de que todas as transações ficam registradas permanentemente na blockchain, o que torna a transferência em massa arriscada também para os próprios criminosos. Ainda assim, o prejuízo acumulado foi significativo e coloca o episódio entre os maiores ataques a criptoativos registrados neste ano. A Galáxia Research destacou que há três ondas confirmadas de ataques, além de outros 14 incidentes menores, o que eleva a estimativa total para US$ 130 milhões se forem incluídos os casos suspeitos, mas ainda não confirmados.

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Esse ataque se soma a uma série crescente de crimes envolvendo criptomoedas ao longo de 2024. De acordo com dados da empresa de monitoramento TRM Labs, divulgados pelo site TechCrunch, já foram registrados cerca de 200 crimes do gênero neste ano, com um prejuízo acumulado de aproximadamente US$ 950 milhões, o que corresponde a cerca de R$ 4,75 bilhões. O caso da Coldcard chama atenção especialmente por ter atingido um tipo de dispositivo considerado uma das formas mais seguras de armazenar criptoativos, projetado justamente para manter os ativos protegidos dos riscos da internet enquanto permanecem registrados na blockchain.

Diante do cenário, a Galaxy Research emitiu um alerta recomendando que os usuários de carteiras Coldcard tomem medidas imediatas para reduzir os riscos. As orientações incluem a migração para outro serviço de armazenamento ou a criação de uma nova senha de acesso. A CoinKite, por sua vez, orientou seus clientes a atualizarem os dispositivos e alterarem a palavra-chave utilizada na carteira offline. As autoridades americanas continuam acompanhando as investigações, e o caso reforça a necessidade de cautela mesmo entre soluções consideradas de alta segurança no universo das criptomoedas.

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