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Nvidia negocia aval de US$ 250 bilhões para data center da OpenAI em Ohio

29/07/2026
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A NVIDIA, fabricante líder mundial de processadores para inteligência artificial, está em negociações para atuar como garantidora de um financiamento de até US$ 250 bilhões destinado à OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT. O objetivo é viabilizar o arrendamento de um complexo monumental de centros de processamento de dados no sul de Ohio, nos Estados Unidos, em uma das transações mais ambiciosas já registradas no setor de infraestrutura de IA.

O empreendimento é desenvolvido por uma subsidiária de energia do SoftBank, conglomerado japonês comandado pelo bilionário Masayoshi Son, e tem capacidade projetada de 10 gigawatts. Somando os equipamentos que ocupariam as instalações, o custo total do projeto pode ultrapassar US$ 500 bilhões, o que o tornaria o maior centro de dados já anunciado no mundo.

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A negociação, revelada em reportagem exclusiva do Wall Street Journal neste domingo, 26, evidencia o aprofundamento da interdependência entre as duas gigantes da inteligência artificial. A NVIDIA não atuaria apenas como fornecedora de chips para a OpenAI, mas assumiria um papel estratégico no financiamento da infraestrutura física necessária para treinar e operar modelos de linguagem em escala crescente.

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A estrutura em discussão prevê que a NVIDIA garantiria uma série de veículos de financiamento para dar mais segurança aos credores de que os recursos do projeto estão protegidos. Essa garantia é considerada essencial porque a OpenAI, ainda como empresa privada e deficitária, não possui rating de crédito com grau de investimento. Sem o aval de uma parceira com solidez financeira, a captação de recursos em condições favoráveis seria significativamente mais difícil.

O aval de US$ 250 bilhões cobriria o arrendamento do centro de dados e a dívida necessária para sua construção. Os termos do acordo ainda não foram fechados, e o negócio pode não se concretizar, segundo ressalvas do Wall Street Journal.

A NVIDIA já investiu US$ 30 bilhões na OpenAI e, paralelamente à garantia de arrendamento, discute uma operação separada para financiar a compra de seus próprios chips pela desenvolvedora do ChatGPT. Essa operação adicional poderia somar até US$ 350 bilhões, ampliando de forma expressiva o volume de negócios entre as duas empresas.

O complexo de Ohio tem particularidades que o tornam objeto de forte disputa entre as maiores empresas de IA do mercado. A energia do empreendimento é controlada pelo governo dos Estados Unidos e financiada pelo Japão, no âmbito de um acordo comercial recente entre os dois países. O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, estaria diretamente envolvido na decisão sobre quais empresas terão acesso ao fornecimento elétrico.

Embora a OpenAI figure entre as empresas mais interessadas no local, a Anthropic — criadora do assistente Claude —, a Microsoft e o Google também teriam conversado com Lutnick sobre o projeto nas últimas semanas. As companhias de IA disputam ativamente acesso a chips e energia em larga escala para rodar seus modelos, o que torna megaprojetos com respaldo governamental e fornecimento garantido de eletricidade cada vez mais cobiçados.

Como parte do compromisso japonês de investir nos Estados Unidos em troca de tarifas comerciais reduzidas, o Japão concordou em aportar US$ 33 bilhões na construção de uma usina a gás natural em terras federais em Ohio. A instalação seria operada pela SoftBank Energy, efetivamente controlada por Son. O governo americano pagará uma taxa à SoftBank Energy pela operação da usina, e os dois países dividirão as vendas de energia até que o Japão recupere seus US$ 33 bilhões. Após esse ponto, o governo americano ficará com 90% da receita.

A escolha de terras federais para o projeto é estratégica. Ao utilizar um antigo sítio de enriquecimento de urânio desativado, localizado a cerca de 80 quilômetros ao sul de Columbus, o governo e seus parceiros esperam evitar os entraves de licenciamento ambiental e a oposição de comunidades locais que têm bloqueado ou atrasado a construção de centros de dados em outras regiões do país. Em março, Lutnick, Son e o secretário de Energia, Chris Wright, deram início formal às obras do complexo.

A primeira fase do projeto está prevista para entrar em operação em 2028, com aproximadamente 800 megawatts de potência. A conclusão total do empreendimento, no entanto, levará muitos anos. Para se ter dimensão do consumo projetado, os 10 gigawatts necessários para o complexo em sua capacidade plena representam energia suficiente para abastecer vários milhões de residências.

Para a OpenAI, o centro de dados em Ohio seria o primeiro sob sua administração direta como inquilina. Hoje, a empresa depende predominantemente do aluguel de infraestrutura de provedores de nuvem como Microsoft, Amazon e Oracle. O controle sobre a própria infraestrutura representa uma mudança estratégica relevante para uma empresa que elevou recentemente sua projeção de gastos com capacidade computacional para cerca de US$ 750 bilhões até 2030, ante uma estimativa anterior de aproximadamente US$ 600 bilhões feita no início do ano.

Arranjos desse tipo têm levantado preocupações entre especialistas do setor, que os apelidaram de credit wrapper — estruturas em que companhias de tecnologia com grau de investimento usam seus próprios balanços para ajudar empresas menores a captar recursos para infraestrutura. O risco, segundo críticos, é que a indústria de IA fique vulnerável caso o humor dos investidores mude ou o crescimento das empresas do setor desacelere. O Google, por exemplo, já concedeu garantias a centros de dados da Anthropic, em parte para impulsionar as vendas de suas próprias unidades de processamento tensorial, conhecidas como TPUs.

A NVIDIA, em seu relatório anual mais recente, alertou que arranjos de financiamento de centros de dados podem reduzir seu fluxo de caixa de curto prazo e ampliar sua exposição ao risco de crédito de clientes. A empresa, com valor de mercado de aproximadamente US$ 5 trilhões, busca garantir demanda sustentada por seus chips em um mercado cada vez mais competitivo.

A pressão por crescimento é particularmente intensa para OpenAI e Anthropic, que correm rumo a ofertas públicas iniciais de ações com avaliações elevadas. Para essas empresas, manter o ritmo acelerado de expansão de capacidade computacional é fundamental para sustentar o valor projetado pelos investidores. A negociação entre NVIDIA e OpenAI, se concretizada, redefinirá o padrão de financiamento no setor de inteligência artificial e consolidará uma nova era de integração entre fabricantes de hardware e desenvolvedores de modelos de linguagem.

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