Facebook lança selo gratuito para identificar perfis reais em meio ao avanço da inteligência artificial generativa
A Meta anunciou nesta sexta-feira (24) que o Facebook passará a contar com um novo selo de verificação gratuito chamado Facebook Verified. A etiqueta tem como objetivo indicar que o usuário é uma pessoa real e que sua identidade foi confirmada pela plataforma. O processo de validação é feito por meio de uma selfie em vídeo, no qual o sistema orienta o usuário a posicionar o rosto e virar para os lados.
De acordo com a empresa, a medida surge como resposta ao avanço da inteligência artificial, que tem tornado cada vez mais simples a criação de conteúdos, perfis e mensagens falsas. A Meta destaca que deseja oferecer uma forma de confirmar que existe uma pessoa real por trás de um perfil, em um cenário em que a IA generativa permite simular interações humanas com alto grau de realismo. A companhia reforça, porém, que o selo apenas confirma a identidade do usuário e não representa um endosso da rede social nem uma garantia de que a pessoa é confiável.
O Facebook Verified é identificado por um pequeno sinal de check ao lado do nome do usuário. Segundo a Meta, o selo ficará visível nos locais considerados mais relevantes dentro da plataforma. Inicialmente, ele aparecerá no Marketplace, no recurso de Namoro, nos Grupos e no próprio perfil do usuário. A empresa informa ainda que o selo será adicionado gradualmente aos posts exibidos no Feed de notícias.
A liberação do recurso será feita em fases, começando na próxima segunda-feira (27) em mercados selecionados, com planos de expansão global em seguida. A Meta não divulgou quais países estarão entre os primeiros a receber a novidade. Para obter o selo, o usuário precisa enviar uma selfie em vídeo, um procedimento semelhante ao adotado por diversos bancos brasileiros em seus processos de autenticação digital. Todos os usuários do Facebook com mais de 18 anos poderão solicitar a verificação, desde que estejam em conformidade com os Padrões da Comunidade da plataforma.
Entre os requisitos estão o cumprimento das regras sobre fraudes, golpes e práticas enganosas, além da ausência de evidências de comportamento inautêntico. Páginas e perfis no modo Pro não estão aptos a receber o selo gratuito. A Meta também não esclareceu como funcionará a moderação do conteúdo das selfies em vídeo enviadas durante o processo.
A novidade surge em um contexto em que diversas redes sociais passaram a oferecer selos de verificação mediante pagamento. Antes, esses selos eram concedidos apenas a pessoas ou empresas conhecidas, a critério da própria plataforma. O X, antigo Twitter, foi um dos casos mais marcantes dessa mudança ao incluir o chamado blue check em seu pacote de assinatura premium, transformando o selo mais em um indicativo de assinatura do que propriamente de identidade confirmada.
A Meta já havia aderido a essa tendência com o Meta Verified, serviço pago disponível tanto no Facebook quanto no Instagram. A assinatura custa R$ 53,90 mensais por plataforma e inclui, além do selo de verificação, destaque nos resultados de pesquisa, figurinhas exclusivas e proteção contra falsificação de identidade. O Facebook Verified gratuito, por sua vez, oferece apenas a confirmação de que se trata de uma pessoa real, sem os recursos adicionais presentes na versão paga.
Até o momento, a Meta não anunciou uma versão gratuita equivalente para o Instagram. A diferenciação entre os dois serviços sugere que a empresa pretende manter a opção paga como uma camada extra de benefícios, enquanto o selo gratuito funciona como uma ferramenta de segurança básica voltada para o combate a perfis automatizados e conteúdos gerados por inteligência artificial.
Com a expansão gradual do Facebook Verified, a Meta busca fortalecer a confiança dos usuários na plataforma em um momento em que a popularização de ferramentas de IA generativa tem ampliado a circulação de contas falsas, deepfakes e interações automatizadas. A verificação por selfie em vídeo se apresenta como uma barreira adicional contra esse tipo de abuso, embora a própria empresa reconheça que o selo não assegura, por si só, a confiabilidade do usuário verificado.