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Brasil adere a acordo internacional de IA liderado pela China

18/07/2026
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O Brasil oficializou sua adesão à Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), iniciativa que reúne 29 países e foi formalizada em cerimônia realizada em Xangai, na China, no dia 16 de julho. O acordo tem como propósito direcionar o desenvolvimento, a implementação e o acesso à inteligência artificial em todo o mundo, com ênfase em princípios éticos e na aplicação orientada ao ser humano. A adesão marca um passo importante do país no cenário de governança global da tecnologia.

A criação da WAICO representa um movimento de países do chamado sul global para estabelecer um fórum próprio de cooperação e regulamentação da inteligência artificial. Além de Brasil e China, participam da iniciativa nações como Rússia, Indonésia e Cazaquistão. A organização seguirá diretrizes das Nações Unidas e trabalhará em conjunto com a entidade, conforme divulgado pelo portal estatal chinês Xinhua. O secretário-geral da ONU, António Guterres, esteve presente na cerimônia de oficialização.

O contexto em que a WAICO surge é marcado pela concentração do mercado de inteligência artificial em empresas sediadas nos Estados Unidos. Companhias como OpenAI, responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT, e a Anthropic, criadora do Claude, dominam o desenvolvimento de sistemas de IA em escala global. Ambas trabalharam recentemente junto ao governo estadunidense no aprimoramento de seus modelos mais recentes, respectivamente o GPT-5.6 e o Claude Fable/Mythos 5.

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A formalização da organização também carrega peso geopolítico. Nos últimos meses, a administração de Donald Trump demonstrou preocupação com o alto potencial das novas IAs e solicitou a retirada temporária do Claude Fable/Mythos 5 do ar, da mesma forma que sugeriu o adiamento do lançamento do GPT-5.6. Analistas indicaram que um dos motivos estaria ligado ao acesso deliberado de hackers chineses à tecnologia mais avançada, o que ampliou as tensões em torno do controle desses sistemas.

Nesse cenário, a WAICO se propõe a descentralizar tanto o desenvolvimento quanto o acesso à inteligência artificial. O acordo reforça o direcionamento da tecnologia ao benefício humano e prevê o estímulo à cooperação em ecossistemas de código aberto, segundo comunicado divulgado pelo governo brasileiro. A iniciativa busca oferecer contraponto às iniciativas lideradas pelos Estados Unidos no campo da governança tecnológica.

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Para o Brasil, a participação na organização envolve atuar em frentes como governança da inteligência artificial e cooperação tecnológica. A coordenação ficará a cargo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação. O país atualmente implementa o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), programa que prevê investimento de R$ 23 milhões até 2028 e ambiciona posicionar o país como referência no setor.

Entre os objetivos do PBIA está a criação de um supercomputador capaz de processar grandes volumes de dados e dar suporte a modelos de linguagem de grande porte, conhecidos pela sigla LLM, treinados em português com dados nacionais. Essa estrutura é vista como peça fundamental para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e fortalecer a soberania do país no campo da inteligência artificial.

A presença de António Guterres na cerimônia em Xangai sinaliza o apoio das Nações Unidas a uma abordagem multilateral para a tecnologia. A ONU tem defendido a necessidade de frameworks globais que garantam que a inteligência artificial seja desenvolvida de forma segura e acessível, especialmente para países em desenvolvimento. A WAICO se apresenta como um instrumento nesse sentido, ao criar um espaço de diálogo entre nações que historicamente tiveram menor participação na formulação de normas tecnológicas.

A composição da organização reflete ainda um realinhamento das alianças tecnológicas no mundo. Países como Rússia e Cazaquistão, que integram o grupo, têm laços políticos e econômicos próximos à China. A inclusão do Brasil, por sua vez, é coerente com a estratégia externa adotada pelo governo federal de diversificar parcerias e buscar maior protagonismo em fóruns internacionais de tecnologia.

O mercado de inteligência artificial, entretanto, continua fortemente concentrado. Modelos como o GPT-5.6, da OpenAI, e o Claude Fable/Mythos 5, da Anthropic, representam o estado da arte em capacidades de processamento de linguagem. A preocupação do governo dos Estados Unidos com a segurança desses sistemas evidencia o quanto o controle sobre a tecnologia se tornou uma questão estratégica entre potências.

O estímulo ao código aberto mencionado no acordo da WAICO ganha relevância nesse contexto. Modelos de código aberto permitem que pesquisadores e instituições de diversos países tenham acesso à tecnologia sem depender exclusivamente de empresas norte-americanas. Essa abordagem pode acelerar o desenvolvimento de soluções locais e ampliar a base de países com capacidade de inovar em inteligência artificial.

Para o Brasil, os desdobramentos da adesão à WAICO dependerão da efetiva implementação das políticas previstas no PBIA e da capacidade de articulação com os demais membros da organização. O sucesso da iniciativa também dependerá da disponibilidade de recursos, infraestrutura e talento humano qualificado para transformar os princípios do acordo em aplicações concretas.

A criação da WAICO ocorre em um momento de acelerada evolução da inteligência artificial, com modelos cada vez mais capazes e impactos crescentes sobre a economia, o mercado de trabalho e a segurança digital. A definição de normas internacionais para a tecnologia se tornou uma prioridade para governos ao redor do mundo. A participação brasileira nesse processo coloca o país em posição de influenciar decisões que devem moldar o futuro da inteligência artificial nas próximas décadas.

O desafio agora será transformar os compromissos assumidos em Xangai em resultados práticos. A coordenação entre os 29 países membros, cada um com diferentes níveis de desenvolvimento tecnológico e prioridades políticas, exigirá diplomacia técnica e vontade política sustentada. Para o Brasil, a oportunidade de atuar como ponte entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento pode consolidar sua posição como ator relevante na governança global da tecnologia.

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