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Brasil se torna o hub estratégico da Djassi Africa para acelerar startups de grupos sub-representados globalmente

10/07/2026
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Djassi Africa aposta no Brasil como mercado estratégico para impulsionar startups de grupos sub-representados

A Djassi Africa, organização de construção de negócios e investimento voltada a startups em estágio inicial, quer transformar o Brasil em um de seus principais mercados de atuação. Criada em 2020 pelos irmãos guineenses Fernando e Rudolphe Cabral, a empresa já reúne mais de 600 empresas em seu ecossistema e agora concentra esforços para acelerar sua expansão internacional a partir do país. A aposta se apoia em características que tornam o território brasileiro estrategicamente relevante para a organização, especialmente no que diz respeito à representatividade e à escala de mercado.

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Segundo Fernando Cabral, sócio-gerente da Djassi Ventures e sócio-administrador da Djassi Africa, o Brasil concentra a maior diáspora africana do mundo e a segunda maior população negra do planeta, atrás apenas da Nigéria. Esses fatores, combinados com a escala de mercado e a proximidade linguística com os países africanos de língua portuguesa, posicionam o país como um ponto central na estratégia da organização. O objetivo é fomentar o que Fernando descreve como um triângulo de negócios que une o Brasil, a África lusófona — composta por Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique — e Portugal, este último funcionando como porta de entrada para a União Europeia.

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A Djassi Africa surgiu da trajetória dos irmãos Cabral no ambiente corporativo, onde construíram carreira nas áreas de inovação, produto e tecnologia. Inicialmente, a proposta era apoiar fundadores africanos, mas a atuação se ampliou ao longo dos últimos anos. Primeiro, a organização passou a atender empreendedores da diáspora africana em qualquer parte do mundo. Atualmente, o escopo inclui todos os grupos sub-representados nos ecossistemas de inovação, conforme explica Fernando. A missão declarada da empresa é impulsionar startups de alto potencial que utilizam tecnologia e inovação digital para gerar impacto econômico e social em escala.

Embora ainda utilize o termo venture builder — expressão que designa empresas dedicadas a construir e desenvolver novos negócios do zero — para definir parte de sua atuação, Fernando afirma que a Djassi Africa evoluiu para um ecossistema que reúne diferentes frentes de apoio aos empreendedores. A organização conecta fundadores a investidores-anjo, fundos de venture capital — modalidade de investimento em empresas emergentes com alto potencial de crescimento —, family offices, grandes empresas e mercados internacionais. A atuação está concentrada em startups nos estágios de ideação, pré-seed e seed, termos que se referem às fases mais iniciais de desenvolvimento de uma empresa, desde a concepção da ideia até os primeiros aportes financeiros.

Nem todas as empresas que passam pela Djassi Africa recebem investimento financeiro direto. Em muitos casos, segundo Fernando, a principal contribuição está no apoio à estruturação do negócio, já que a organização costuma entrar em estágios muito iniciais, momento considerado ideal para ajudar a empresa a se desenvolver. Atualmente, mais de 600 startups já passaram pelo ecossistema. Desse total, entre 150 e 200 integram a Djassi Ventures, unidade dedicada ao desenvolvimento e aceleração de negócios. Já a Djassi Angels funciona como uma comunidade voltada à formação de investidores-anjo, reunindo profissionais experientes, oferecendo capacitação sobre investimento em startups e conectando participantes ao ecossistema da Djassi Ventures.

Para Fernando, um dos principais impactos desse trabalho é fazer com que os fundadores pensem seus negócios de forma global desde os primeiros estágios, ampliando as possibilidades de expansão internacional. Contudo, ele reconhece que o maior desafio atual da organização não está na operação, mas na forma como é percebida pelo mercado. Segundo ele, o foco em fundadores sub-representados faz com que parte dos potenciais parceiros associe a empresa à filantropia, quando sua atuação está voltada à construção de negócios. Fernando ressalta que o trabalho da Djassi não é de caridade, mas sim de criação das melhores startups do mercado.

Para os anos de 2026 e 2027, a estratégia da Djassi Africa passa pelo fortalecimento da presença nos mercados onde já atua, com prioridade para o Brasil, os países africanos de língua portuguesa e a Europa. Atualmente, a operação europeia está concentrada no Reino Unido e em Portugal, mas a organização pretende expandir para Itália, França e Irlanda. O objetivo, segundo Fernando, é ampliar significativamente a componente de Ventures, dedicada à aceleração e ao crescimento de startups, fazendo com que as empresas do portfólio consigam escalar suas operações no próximo ano. A Djassi Africa, portanto, segue investindo em sua missão de estruturar e expandir negócios liderados por grupos sub-representados, com o Brasil como peça central dessa estratégia de crescimento internacional.

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