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OpenAI alerta FBI sobre plano de homicídio via ChatGPT e pai é preso no ES

28/06/2026
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Um homem de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, após a OpenAI identificar em conversas no ChatGPT indícios de que ele planejava matar o próprio filho de 8 anos. A empresa responsável pelo assistente de inteligência artificial comunicou o caso ao FBI, que acionou as autoridades brasileiras e possibilitou a prisão do suspeito um dia antes da data prevista para o crime. O episódio representa o terceiro registro no Brasil de uma investigação criminal deflagrada a partir de um alerta de uma plataforma de inteligência artificial e o primeiro no estado capixaba.

A OpenAI é a empresa desenvolvedora do ChatGPT, um assistente de inteligência artificial baseado em modelos de linguagem capazes de manter diálogos, responder perguntas e gerar textos a partir de comandos do usuário. Neste caso, o sistema de monitoramento da empresa identificou buscas repetitivas feitas pelo suspeito com conteúdos que indicavam a intenção de praticar um homicídio contra a criança. A empresa então acionou as autoridades norte-americanas.

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O delegado Breno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos do Espírito Santo, explicou à TV Gazeta que a OpenAI encaminhou ao FBI uma comunicação formal relatando o comportamento do usuário. Segundo o delegado, o indivíduo realizava pesquisas de forma constante voltadas para o assassinato do próprio filho por meio da ferramenta de inteligência artificial.

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Ao receber a informação, o FBI repassou os dados ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que comunicou a Polícia Civil do Espírito Santo. A corporação iniciou a apuração no dia 16 de junho e cumpriu o mandado de prisão preventiva três dias depois, em 19 de junho, um dia antes da data em que o suspeito supostamente pretendia executar o crime. O delegado adjunto Ícaro Olimpio, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, confirmou a cronologia e afirmou que a ação policial preventiva evitou consequências mais graves.

Segundo os investigadores, a motivação apontada nas mensagens trocadas pelo homem no ChatGPT estava relacionada à cobrança de pensão alimentícia. O suspeito teria relatado receio de que, na sua ausência, a mãe da criança passasse a cobrar a avó paterna pelo valor. A reportagem do veículo que divulgou o caso teve acesso a trechos das conversas enviadas à ferramenta de inteligência artificial.

Em uma das mensagens, o homem escreveu que teria tentado contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para assassinar o filho. A pessoa que recebeu a proposta, contudo, recusou o serviço ao descobrir que o alvo seria uma criança, segundo o conteúdo analisado pela polícia. Além disso, o agricultor relatou nas conversas que estaria de posse de uma arma, uma corda e cianeto, substância tóxica que afeta gravemente o funcionamento do organismo humano.

As mensagens também continham referências a planos de atacar policiais e cometer atentados em espaços públicos, como igrejas e escolas. Em um trecho, o suspeito afirmou ter pensado em usar a arma contra dois policiais próximos a um batalhão. Em outra passagem, escreveu que gostaria de entender a origem de sua vontade de matar pessoas e declarou sentir prazer ao ver outras pessoas sofrendo.

Com os dados fornecidos pelo FBI, os investigadores conseguiram identificar o suspeito, confirmar a existência do filho e solicitar à Justiça os mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva. O homem admitiu aos policiais que realizou as pesquisas no ChatGPT, mas negou que tivesse a intenção de matar a criança. A defesa do investigado sustenta que as buscas não configuravam um plano real de execução.

O delegado Breno Andrade informou que a polícia vai confrontar o conteúdo das mensagens digitadas na ferramenta de inteligência artificial com os dados extraídos do celular do suspeito. O objetivo é verificar quais etapas do plano já haviam sido efetivadas e quais permaneciam apenas no campo das ideias. A perícia no aparelho ainda está em andamento e poderá embasar a denúncia oferecida pelo Ministério Público.

Breno Andrade destacou que este é o primeiro caso no Espírito Santo em que uma investigação criminal foi deflagrada a partir de uma comunicação de uma plataforma de inteligência artificial às autoridades. Segundo o laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública, trata-se do terceiro registro semelhante no país. A informação indica que empresas de tecnologia estão adotando práticas de detecção e relato de atividades potencialmente criminosas dentro de seus serviços.

O inquérito policial ainda não foi concluído. Conforme a Polícia Civil, a análise pericial do telefone celular poderá fundamentar apurações por tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime. A extensão das acusações dependerá do resultado da comparação entre as mensagens e os vestígios digitais encontrados no aparelho do suspeito.

O caso atrai atenção de profissionais de tecnologia e segurança digital por envolver uma cadeia de compartilhamento de informações entre uma empresa privada de inteligência artificial, uma agência de segurança dos Estados Unidos e órgãos de justiça brasileiros. O fluxo observado demonstra como plataformas de IA podem funcionar como instrumentos de prevenção criminal, ao mesmo tempo em que alimentam debates sobre os limites da vigilância em sistemas de inteligência artificial e o uso de dados de usuários por provedores de serviços.

Para a comunidade técnica, o episódio levanta questões sobre o equilíbrio entre proteção à vida e privacidade dos usuários. Empresas como a OpenAI mantêm políticas de uso que proíbem a exploração de seus sistemas para fins ilícitos, mas a aplicação dessas regras depende de mecanismos internos de detecção que ainda estão em desenvolvimento. O fato de uma plataforma ter conseguido identificar e reportar um plano de crime antes de sua execução sinaliza um avanço nessas capacidades, mas também amplia a discussão sobre os critérios usados para definir quais conversas merecem ser encaminhadas a autoridades.

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