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Anthropic e OpenAI disputam liderança na corrida trilionária da IA

15/06/2026
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A Anthropic, empresa criadora do assistente de inteligência artificial Claude, e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, estão prestes a abrir capital na bolsa de valores dos Estados Unidos em uma disputa que pode transformar ambas em empresas avaliadas em mais de um trilhão de dólares. O movimento coloca os CEOs Dario Amodei e Sam Altman em lados opostos de uma corrida que envolve bilhões em investimentos, disputa por talentos e a definição de quem liderará a próxima fase do desenvolvimento da inteligência artificial.

A Anthropic foi a primeira a dar o passo decisivo ao apresentar documentos à SEC, a autoridade reguladora dos mercados americanos, para iniciar o processo de oferta pública inicial, conhecida como IPO. Uma semana depois, a OpenAI anunciou sua própria estreia em Wall Street e submeteu a documentação necessária pelo canal confidencial.

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O momento do mercado é considerado favorável para ambas as operações. As bolsas operam em alta e a inteligência artificial segue como principal tema do setor de tecnologia. A Anthropic é avaliada atualmente em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões. Um IPO bem-sucedido poderia elevar as duas companhias ao grupo restrito das empresas trilionárias, clube que hoje inclui apenas gigantes como NVIDIA, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla.

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A consultoria Gartner estima que os gastos globais com inteligência artificial ultrapassem 2,5 trilhões de dólares ainda neste ano. A maior parcela desses investimentos está concentrada na infraestrutura de IA, especialmente na construção e no aluguel de grandes data centers, responsáveis por fornecer o poder computacional necessário para treinar e operar os modelos.

Até agora, as duas empresas captaram recursos por meio de rodadas de investimento privadas, nas quais fundos e corporações apostam em companhias com alto potencial de crescimento. Segundo o analista Harrison Rolfes, da plataforma de dados PitchBook, a OpenAI arrecadou 185,9 bilhões de dólares desde sua fundação, enquanto a Anthropic captou 126,8 bilhões no mesmo período.

Apesar de ter levantado menos recursos, a Anthropic apresenta indicadores financeiros que colocam a empresa em posição de destaque aos olhos de investidores. A companhia deve faturar cerca de 47 bilhões de dólares neste ano, contra 30 bilhões projetados para a OpenAI. Para Rolfes, a Anthropic tem a melhor narrativa para um IPO, com números que sustentam a confiança do mercado.

O foco no mercado corporativo é um dos principais diferenciais da empresa de Dario Amodei. Mais de mil empresas já gastam mais de um milhão de dólares por ano com a Anthropic, segundo o analista. A OpenAI, por sua vez, domina o segmento de consumidores com o ChatGPT, que ultrapassou a marca de 900 milhões de usuários semanais. A maioria, no entanto, utiliza o serviço gratuitamente, o que representa um obstáculo para a monetização.

Pedro Domingos, professor emérito de ciência da computação da Universidade de Washington, concorda com a avaliação. Segundo ele, a Anthropic está mais avançada nos serviços para empresas, segmento de onde deverá provir a maior parte da receita do setor. Domingos ressalva, porém, que esse cenário pode mudar rapidamente, e observa que a Anthropic enfrenta mais demanda do que capacidade computacional para atendê-la.

A rivalidade entre Altman e Amodei tem raízes pessoais. Em 2021, Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção adotada sob a liderança de Altman, considerada excessivamente focada em retorno financeiro e insuficiente em responsabilidade. Desde então, ele posicionou a Anthropic como defensora de uma inteligência artificial mais segura e regulada.

Amodei também estabeleceu limites quanto ao uso militar de sua tecnologia. O Claude, assistente de IA da Anthropic, não deveria ser empregado em sistemas de vigilância em massa nem em armas automatizadas. Essa postura levou o Pentágono a classificar a Anthropic como risco de segurança na cadeia de fornecimento, uma medida extrema normalmente aplicada a empresas estrangeiras.

A OpenAI, por outro lado, planeja fornecer software ao Pentágono e vem ampliando sua atuação em contratos com o governo dos Estados Unidos. A mudança de posicionamento é vista com ironia por especialistas, já que a OpenAI foi fundada em 2015 com a missão declarada de desenvolver inteligência artificial de forma ética e responsável.

Domingos acredita que a postura de Amodei também carrega um componente de marketing. O sucesso acelerado e a pressão crescente por resultados podem comprometer a imagem da Anthropic como a empresa comprometida com o uso responsável da tecnologia. Decisões difíceis virão, afirma o professor, e funcionários podem sair decepcionados, assim como ocorreu quando o próprio Amodei e outros pesquisadores deixaram a OpenAI.

Recentemente, em meio à preparação do IPO, Amodei pediu uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial, alertando que os humanos poderiam perder o controle sobre a tecnologia. A declaração ocorreu poucos dias antes de a Anthropic formalizar seus documentos de abertura de capital junto à SEC.

Segundo Domingos, o objetivo final de ambas as empresas é desenvolver a chamada Inteligência Artificial Geral, ou AGI, capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. Quem chegar lá primeiro terá uma vantagem praticamente impossível de ser superada pelos concorrentes.

Rolfes relativiza essa visão e afirma que chegar primeiro não significa necessariamente vencer. Para obter lucro de fato com inteligência artificial, serão necessários adoção ampla, confiança das empresas e boas margens de rentabilidade. A disputa, no fim das contas, será decidida por qual tecnologia será adotada pelas maiores corporações do mundo.

A corrida pela liderança na inteligência artificial, portanto, está longe de terminar. Com os dois IPOs em andamento e avaliações próximas à marca de um trilhão de dólares, o próximo capítulo dessa disputa será escrito nos mercados de capitais, onde investidores definirão quanto vale cada visão de futuro para a tecnologia.

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