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SpaceX captou US$ 75 bi no maior IPO da história e vale US$ 1,77 tri

12/06/2026
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A SpaceX, empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial fundada por Elon Musk, realizou nesta quinta-feira a maior oferta inicial de ações da história. O IPO captou US$ 75 bilhões, com ações precificadas a US$ 135 cada, avaliando a companhia em US$ 1,77 trilhão — o equivalente a aproximadamente R$ 9 trilhões, valor próximo ao dobro do somatório de todas as empresas brasileiras listadas na B3. Os papéis começam a ser negociados nesta sexta-feira na bolsa americana Nasdaq.

A operação superou com ampla margem o até então recorde da petroleira Saudi Aramco, que em 2019 levantou cerca de US$ 25,6 bilhões em sua abertura de capital. Com o resultado, Elon Musk se consolidou como o primeiro trilionário da história, segundo estimativas de patrimônio divulgadas por veículos internacionais como Bloomberg, CNBC e Reuters.

Foram vendidos 555,6 milhões de ações na oferta. Um dado que chamou atenção foi a participação elevada de investidores pessoas físicas, que ficaram com entre 25% e 30% do IPO — muito acima dos 10% normalmente reservados para esse público em aberturas de capital tradicionais. A demanda do segmento de varejo superou US$ 100 bilhões, de acordo com a Bloomberg.

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A operação mobilizou 21 bancos coordenadores em uma estrutura complexa de distribuição. O BTG Pactual foi o único banco brasileiro entre os coordenadores, e o Santander, que também atua no país, participou das vendas. Segundo interlocutores familiarizados com a transação, a demanda de investidores brasileiros atingiu a casa dos bilhões de dólares. Fundos locais foram estruturados especificamente para dar acesso ao público nacional.

Para investidores no Brasil, a B3 passará a disponibilizar BDRs, recibos atrelados às ações da SpaceX negociadas nos Estados Unidos. Cada BDR será oferecido a R$ 50, e cada ação original corresponde a 15 BDRs, considerando que a ação foi precificada a R$ 675.

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A avaliação de US$ 1,77 trilhão coloca a SpaceX em um grupo restrito: entre todas as empresas listadas no S&P 500, apenas 11 possuem valor de mercado superior a US$ 1 trilhão, entre elas NVIDIA, Apple e Microsoft. O IPO também dá início a uma safra de mega aberturas de capital nos Estados Unidos, com a OpenAI — empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT — e a Anthropic — criadora do assistente Claude — também na fila para ofertas que buscam valuations acima de US$ 1 trilhão.

Analistas em todo o mundo alertaram para alterações nos fluxos globais de investimentos decorrentes do tamanho dessas operações, com impactos que podem atingir até mesmo países como o Brasil, conforme relatos de mercado. A competição por capital entre as grandes ofertas de tecnologia deve redesenhar prioridades de alocação de investidores institucionais globais.

Um aspecto singular da estrutura acionária da SpaceX é que Elon Musk manterá cerca de 85% do poder de voto mesmo após o IPO. Para isso, foi criada uma classe de ações com supervoto, que concede dez votos por papel. O fundador também se comprometeu a não vender suas ações por 366 dias após a oferta, prazo superior aos 180 dias habitualmente praticados no mercado americano.

Outro ponto que gerou debates entre analistas é o free float reduzido: apenas 5% das ações ficarão em circulação após a oferta, o que pode gerar volatilidade e distorções de preço nos primeiros meses de negociação.

Do ponto de vista financeiro, a SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões no ano passado. Sua principal fonte de receita é a Starlink, rede global de internet via satélite que já conta com milhões de usuários em dezenas de países. A grande aposta de crescimento, no entanto, está na integração entre conectividade global, inteligência artificial e infraestrutura espacial. Os investimentos seguem elevados, especialmente na área de IA.

No prospecto enviado aos reguladores americanos, a SpaceX reconheceu os riscos de suas iniciativas mais ambiciosas. A empresa declarou que seus projetos de computação de IA orbital e de industrialização no espaço, na Lua e em outros planetas estão em estágio inicial, envolvem tecnologias não comprovadas e podem nunca se tornar comercialmente viáveis. Uma das promessas de Musk para o curto prazo é a instalação de data centers no espaço, ideia que, se concretizada, poderia conferir vantagem competitiva à companhia, mas que o próprio prospecto classifica como experimental e imprevisível.

O documento não detalhou com precisão a destinação dos recursos captados. O prospecto indica que o caixa será direcionado à expansão da infraestrutura de IA, ao desenvolvimento de sistemas de lançamento, à ampliação da constelação de satélites Starlink e a propósitos corporativos gerais, preservando flexibilidade para a administração decidir a alocação do capital.

O debate entre analistas nas semanas que antecederam a oferta se concentrou no preço das ações e nas expectativas de crescimento embutidas na avaliação. A plataforma de IA da SpaceX, chamada Grok, ainda não figura entre as principais do mercado, o que levanta questões sobre a capacidade da empresa de competir com líderes consolidados no setor de inteligência artificial.

Thiago Kapulskis, sócio do Global Tech Fund da São Pedro Capital, observou que a SpaceX traz metas agressivas e que algumas delas — como a instalação de data centers no espaço — carecem de tecnologia viável. Para ele, um dos principais pontos de discussão no mercado foi a extensão das expectativas de crescimento do negócio de IA que já estão refletidas no preço da oferta. A operação demanda investimentos em larga escala, e essa necessidade foi uma das razões centrais para a abertura de capital.

A estreia da SpaceX na Nasdaq marca um momento relevante para o mercado de tecnologia e para o setor espacial, ao combinar em uma mesma empresa três áreas de interesse crescente dos investidores globais: missões espaciais, conectividade via satélite e aplicações de inteligência artificial. O desdobramento da oferta nos próximos meses deverá influenciar tanto o cronograma das aberturas de capital previstas para OpenAI e Anthropic quanto as estratégias de alocação de investidores em todo o mundo.

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