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Trionda: bola da Copa 2026 tem chip, IA e bateria embarcada

11/06/2026
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A bola oficial da Copa do Mundo de 2026, batizada de Trionda, carrega dentro de si um conjunto de tecnologias que a aproxima mais de um dispositivo eletrônico do que de um objeto esportivo tradicional. Desenvolvida pela Adidas, a bola embarca um sensor de movimento alimentado por bateria, capaz de coletar e transmitir dados 500 vezes por segundo, além de contar com análises assistidas por inteligência artificial para auxiliar decisões de arbitragem em tempo real. A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

A versão tecnológica da Trionda será utilizada exclusivamente nas partidas oficiais do torneio da Fifa. A modelo vendida ao consumidor não inclui os recursos eletrônicos. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Kinexon, empresa especializada em sistemas de rastreamento e análise de dados para modalidades esportivas.

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O coração tecnológico da Trionda é um sensor de movimento que acompanha a bola ao longo de toda a partida e envia informações em tempo real ao sistema de Árbitro Assistente de Vídeo, conhecido pela sigla VAR. A taxa de coleta de 500 leituras por segundo permite que os árbitros acompanhem com elevado grau de precisão cada deslocamento da bola, incluindo trajetória, velocidade e ponto de contato.

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Essa capacidade de monitoramento não é inteiramente inédita. A Al Rihla, bola utilizada na Copa do Mundo de 2022, no Catar, já contava com sensor semelhante, também alimentado por bateria. Assim como no modelo anterior, a Trionda precisa ser conectada à tomada periodicamente para que o sensor seja recarregado. A necessidade de recarga já havia chamado a atenção durante o torneio anterior, quando imagens de bolas ligadas ao carregador viralizaram nas redes sociais.

Apesar da semelhança funcional, a Trionda traz mudanças estruturais relevantes em relação à sua antecessora. Na Al Rihla, o sensor ficava suspenso no centro da bola. Agora, o componente está embutido em uma camada interna de um dos quatro painéis que compõem a superfície da esfera. Para compensar o peso adicional gerado pelo sensor, a Adidas adicionou contrapesos nos outros três painéis, garantindo o equilíbrio da bola durante o jogo.

Outra modificação significativa está na quantidade de painéis. Enquanto a Al Rihla era formada por 20 peças, a Trionda reduz drasticamente esse número para apenas quatro. A simplificação da estrutura externa foi acompanhada pela integração mais profunda dos componentes eletrônicos, algo que a fabricante descreve como uma evolução natural do conceito iniciado em edições anteriores do Mundial.

Os dados capturados pelo sensor não atuam de forma isolada. A Adidas explica que as informações são combinadas com dados de posicionamento dos jogadores e processadas por algoritmos de inteligência artificial. Essa integração permite à arbitragem revisar lances com maior agilidade, incluindo situações de impedimento e possíveis toques de mão na bola, dois dos momentos mais frequentes de intervenção do VAR.

O foco em velocidade de decisão foi destacado por Hannes Schaefke, líder de inovação em futebol da Adidas, em entrevista ao veículo The Athletic em 2025. Segundo ele, um dos principais objetivos do projeto era ajudar os árbitros a tomar decisões corretas no menor tempo possível, já que qualquer revisão do VAR interrompe o ritmo da partida.

Além da instrumentação da bola, a Fifa anunciou outras iniciativas tecnológicas para a Copa de 2026. Uma delas é a digitalização em três dimensões dos jogadores convocados, realizada em parceria com a Lenovo. O objetivo é criar uma versão digital de cada atleta, funcionando como um avatar tridimensional que permite aos árbitros visualizar com mais precisão a posição do corpo no momento em que a bola é tocada, o que pode ser decisivo na análise de impedimentos.

Outra ferramenta apresentada pela Fifa é o Football AI Pro, um sistema de inteligência artificial voltado às comissões técnicas das seleções. Após cada partida, a plataforma analisa dados de diferentes fontes, como estatísticas do jogo, informações de posicionamento dos atletas e vídeos, e gera relatórios com insights sobre desempenho individual, aspectos táticos e possíveis ajustes estratégicos. A ideia é acelerar o trabalho de análise das equipes e organizar as informações de maneira mais acessível.

A convergência dessas tecnologias na Copa de 2026 reflete um movimento mais amplo de incorporação de recursos digitais no futebol profissional. Desde a introdução do VAR no Mundial de 2018, na Rússia, a Fifa tem ampliado o uso de ferramentas baseadas em dados para complementar as decisões de arbitragem e oferecer mais informações às equipes. A Trionda representa um passo adicional nessa trajetória, ao transformar a própria bola em um nó de coleta e transmissão de dados dentro do campo de jogo.

Para os espectadores, as mudanças podem parecer invisíveis. A bola mantém a aparência de um objeto esportivo convencional e o impacto direto da tecnologia se manifesta nos tempos de revisão do VAR e na precisão das decisões. Para a indústria de tecnologia esportiva, no entanto, a evolução da Trionda sinaliza que dispositivos conectados e sensores embarcados tendem a se tornar cada vez mais comuns em equipamentos de modalidades profissionais, blurring a fronteira entre artigos esportivos e dispositivos inteligentes.

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