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IA Supera Professores: Estudo Revela que Inteligência Artificial é Mais Útil para Estudantes de Direito

03/06/2026
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Estudo da Universidade Stanford mostra que inteligência artificial supera professores em respostas a estudantes de Direito

Um estudo conduzido pela Universidade Stanford nos Estados Unidos revelou que respostas geradas por inteligência artificial foram consideradas mais úteis do que aquelas elaboradas por professores de Direito na maioria das avaliações realizadas. Os avaliadores preferiram as respostas produzidas por plataformas de IA em 75% das comparações feitas durante a pesquisa, um resultado que surpreendeu os pesquisadores e reacendeu o debate sobre o papel da tecnologia no ensino jurídico.

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A pesquisa reuniu docentes de 14 faculdades de Direito norte-americanas, que elaboraram uma lista de 40 perguntas representativas de contratos do primeiro ano, do tipo que alunos costumam enviar a professores durante o horário de atendimento. Os próprios docentes escreveram respostas para essas questões, e os pesquisadores submeteram os mesmos enunciados a duas plataformas de inteligência artificial: o Gemini 2.5 Pro, desenvolvido pelo Google, e o NotebookLM.

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Em seguida, os mesmos professores que formularam as perguntas atuaram como juízes, avaliando todas as respostas de forma cega, ou seja, sem saber se cada texto havia sido escrito por um humano ou gerado por inteligência artificial. Ao comparar as respostas lado a lado, os avaliadores escolheram as produzidas por IA como as mais benéficas para os alunos em três quartos dos casos. O desempenho das plataformas de inteligência artificial chegou a ser equivalente ao do professor mais bem avaliado entre todos os participantes do estudo.

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores. Menos de 4% das respostas geradas por inteligência artificial foram classificadas como prejudiciais ao aprendizado dos estudantes. Entre as respostas escritas por professores humanos, o índice de respostas consideradas prejudiciais chegou a 12%, três vezes mais do que o registrado para a IA.

O professor de Direito de Stanford e pesquisador principal do estudo, Julian Nyarko, afirmou ter ficado surpreso com a dimensão dos resultados. Segundo ele, as perguntas utilizadas na pesquisa não eram simples nem possuíam respostas óbvias, o que torna o desempenho da inteligência artificial ainda mais relevante. O pesquisador também destacou que a tecnologia demonstrou capacidade real de raciocínio jurídico, indo além do que se esperava de sistemas automatizados.

O estudo também ouviu o coautor e pesquisador de Stanford Alejandro Salinas, que defendeu o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio. De acordo com ele, em vez de depender exclusivamente de colegas ou de mensagens esporádicas a instrutores, estudantes de Direito poderiam utilizar sistemas de IA para obter respostas sob demanda com alto nível de qualidade. Para Salinas, esses tutores automatizados podem complementar o ensino em sala de aula e ampliar o acesso à orientação jurídica especializada.

A pesquisa ocorre em um momento de expansão do uso da inteligência artificial no campo jurídico. Nos últimos anos, ferramentas de IA já conseguiram passar no exame da Ordem dos Estados Unidos, obter notas máximas em avaliações de faculdades de Direito, corrigir provas da área e responder dúvidas jurídicas complexas. O conjunto desses resultados tem levado instituições e profissionais a repensar a forma como a tecnologia se insere na formação e na prática do Direito.

Apesar do cenário favorável apontado pelo estudo da Universidade Stanford, as abordagens das faculdades norte-americanas em relação à inteligência artificial continuam divergentes. Algumas instituições passaram a exigir disciplinas sobre IA já no primeiro ano do curso, buscando preparar os alunos para o uso consciente da tecnologia. Outras preferem limitar o uso das ferramentas em atividades acadêmicas. A Faculdade de Direito de Berkeley, ligada à Universidade da Califórnia, adotou recentemente uma política que restringe de forma significativa o uso de inteligência artificial pelos alunos na elaboração de trabalhos acadêmicos.

O contraste entre as instituições mostra que não há consenso sobre como integrar a inteligência artificial ao ensino jurídico. Enquanto parte das universidades reconhece o potencial da tecnologia como apoio aos estudos, outras preferem adotar medidas mais cautelosas diante dos riscos associados ao uso irrestrito da IA. O estudo da Universidade Stanford, ao evidenciar o bom desempenho das plataformas em avaliações cegas, contribui para ampliar essa discussão e sugere que a inteligência artificial tende a ocupar um espaço cada vez maior dentro das universidades, especialmente como ferramenta complementar de aprendizado.

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