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Energia Inteligente: Como a E.ON Revolucionou sua Rede Elétrica com Tecnologia de Ponta

03/06/2026
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E.ON moderniza rede elétrica com SAP S/4HANA e constrói base para aplicações de inteligência artificial

A companhia europeia de energia E.ON está utilizando a plataforma SAP S/4HANA, um sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP, na sigla em inglês) que roda na nuvem, para padronizar os dados de sua infraestrutura e viabilizar projetos de inteligência artificial em larga escala. A empresa atua em três grandes áreas: redes de energia, soluções para clientes e infraestrutura energética, o que exige investimentos contínuos em hardware e software para manter a operação funcionando de forma estável.

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No início do processo de transformação digital, a liderança da empresa questionou a necessidade de aportes financeiros elevados em tecnologia. A equipe de engenharia demonstrou que o investimento constante garante estabilidade dos sistemas, preços acessíveis e resiliência dentro de uma rede de energia digitalizada. Para a E.ON, crescimento, sustentabilidade e digitalização são prioridades corporativas, e o atraso em capacidades técnicas pode gerar custos financeiros expressivos no longo prazo.

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A padronização da infraestrutura tem gerado resultados visíveis na operação. A empresa conduz, paralelamente, uma migração de seu ERP para a nuvem. No setor de energia, sistemas legados frequentemente sofrem com customizações extremas, criando o que especialistas chamam de dívida técnica, ou seja, acúmulo de soluções pontuais que dificultam a manutenção e a evolução dos sistemas. A E.ON optou por rejeitar essas construções fragmentadas e integrar pacotes de software consolidados em uma arquitetura coesa, o que garante a escalabilidade dos dados em toda a organização.

A estratégia já apresenta números concretos. A E.ON registrou uma redução de 77 por cento no tempo de indisponibilidade de sistemas de tecnologia da informação ao longo de cinco anos. Para alcançar esse indicador de disponibilidade, a companhia padronizou tabelas de dados e removeu camadas intermediárias de software, conhecidas como middlewares, que dificultavam a integração entre sistemas.

O SAP S/4HANA utiliza um banco de dados em memória, arquitetura que processa consultas com velocidade muito superior à de bancos de dados relacionais tradicionais. A E.ON aproveita esse desempenho para processar dados de telemetria, informações transmitidas em tempo real por sensores instalados nos equipamentos da rede elétrica, em fluxos contínuos. O processamento rápido dos dados funciona como pré-requisito para a implantação de modelos de aprendizado de máquina sobre a operação.

O diretor de tecnologia da informação da E.ON, Sebastian Weber, reconhece a pressão intensa que líderes de tecnologia enfrentam para acompanhar o ritmo de desenvolvimento de softwares externos. Segundo ele, aplicativos de consumo, como o ChatGPT, resolvem problemas domésticos com eficiência e criam uma demanda interna por automação semelhante nos ambientes corporativos. A empresa precisa diminuir a diferença entre as capacidades oferecidas por softwares externos e a prontidão interna para utilizá-los.

Para acelerar essa preparação, a E.ON expandiu suas equipes internas de engenharia de forma agressiva, contratando mais de mil especialistas. Desse total, mais de 500 são profissionais de dados e 300 atuam em cibersegurança. A internalização da engenharia de dados permite à empresa construir lagos de dados proprietários, que são grandes repositórios centralizados de informações, e auditar internamente a governança de dados. Manter talentos de cibersegurança no quadro próprio garante controles rígidos de acesso aos sistemas de tecnologia operacional que administram a rede física de energia.

A governança foi centralizada em todas as unidades de negócio, com a adoção de estruturas administrativas padronizadas, incluindo frameworks de contratação e consoles unificados de gestão de sistemas. A padronização dos contratos com fornecedores acelera os prazos de aquisição de software e limita custos de licenciamento que poderiam crescer sem controle. Paralelamente, a empresa abandonou a estratégia de manter laboratórios digitais e garagens de inovação isoladas, integrando as ferramentas digitais diretamente nos processos de negócio ativos.

A E.ON adota o modelo operacional chamado BizDevOps, no qual desenvolvedores, analistas de negócio e equipes de operações trabalham em conjunto desde a fase inicial de arquitetura. O objetivo é garantir que cada nova funcionalidade gere valor comercial concreto. Treinamentos direcionados são oferecidos a trabalhadores e gestores para que possam extrair valor verificável da infraestrutura modernizada.

No campo da inteligência artificial, a empresa segue uma abordagem pragmática. A liderança recusou a construção de plataformas proprietárias de inteligência artificial do zero e prefere estabelecer parcerias com fornecedores de tecnologia já consolidados. Os engenheiros exploram casos de uso específicos e delimitados, com foco em automação do atendimento ao cliente, manutenção preditiva e otimização operacional.

A manutenção preditiva é aplicada para evitar falhas graves em equipamentos da rede. Sensores detectam anomalias de tensão e transmitem os dados para a instância central do S/4HANA. Modelos de aprendizado de máquina analisam essas informações de telemetria para identificar padrões de desgaste na infraestrutura física. Equipes de manutenção recebem ordens de despacho automatizadas antes que os equipamentos falhem, o que reduz custos de reparo emergencial e previne interrupções localizadas no fornecimento de energia.

A empresa também utiliza automação no atendimento a uma base de 47 milhões de usuários. O processamento de solicitações por meio de fluxos automatizados diminui a carga nos centros de atendimento e agiliza a resolução de incidentes. Segundo Weber, a experiência da E.ON evidencia que a transformação digital exige prontidão interna, com investimentos consistentes, priorização clara e atenção especial a pessoas e cultura organizacional.

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