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Walmart Coloca Freio no Uso de Inteligência Artificial entre Funcionários para Controle de Custo

03/06/2026
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Walmart limita uso de ferramenta interna de inteligência artificial entre funcionários

A Walmart começou a restringir o uso de uma ferramenta interna de inteligência artificial chamada Code Puppy entre seus funcionários, após a demanda pelo sistema ter superado as expectativas da empresa. O assistente, baseado em um modelo de linguagem de grande porte, foi inicialmente disponibilizado aos colaboradores sem limites rígidos de utilização, mas agora a varejista passou a distribuir uma quantidade fixa de tokens por empregado, o que limita diretamente o volume de uso da ferramenta.

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Os tokens são as unidades de dados que os modelos de inteligência artificial processam a cada interação, ou seja, cada comando enviado e cada resposta gerada consome uma determinada quantidade desses tokens. Com a nova política, cada funcionário passa a ter um saldo limitado para interagir com o Code Puppy, que foi desenvolvido internamente pela própria Walmart e é capaz de auxiliar em tarefas como análise de planilhas, criação de apresentações e outras atividades automatizáveis do ambiente corporativo.

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A mudança na política interna é uma medida de controle de custos. O mercado de modelos de linguagem vem migrando do modelo tradicional de assinatura com preço fixo, que oferecia acesso praticamente ilimitado, para o formato de pagamento por uso, no qual cada interação é cobrada de forma proporcional ao volume de dados processados. Considerando que a Walmart emprega cerca de 2,1 milhões de pessoas, mesmo consultas e solicitações modestas por colaborador podem gerar despesas expressivas quando multiplicadas em larga escala.

Apesar da limitação no Code Puppy, a empresa esclareceu que os funcionários continuam tendo acesso a outras plataformas de inteligência artificial pagas pela própria Walmart. A orientação da varejista é que os colaboradores utilizem inteligência artificial sempre que a ferramenta possa gerar valor real, escolhendo o modelo mais adequado para cada tipo de tarefa. A empresa também ampliou nos últimos anos o uso de ferramentas de inteligência artificial em suas operações e ofereceu treinamentos para capacitar os funcionários no uso dessas tecnologias, incentivando a experimentação e a adoção de práticas bem-sucedidas.

Parte do problema de custos está relacionada à forma como o uso dessas ferramentas vinha sendo medido nas empresas. Em muitas organizações, a produtividade passou a ser avaliada pelo volume e pela complexidade das interações com sistemas de inteligência artificial, o que levou alguns funcionários a transformar esse indicador em uma espécie de competição interna. O fenômeno, chamado de token maxxing, consiste em maximizar deliberadamente o consumo de tokens para atingir metas de desempenho. Em abril deste ano, um sócio da Sequoia Capital afirmou publicamente que todos deveriam praticar token maxxing, o que estimulou o surgimento de rankings internos nas empresas para celebrar os colaboradores que mais utilizavam ferramentas de inteligência artificial.

Essas práticas performáticas tendem a se tornar cada vez mais custosas à medida que a cobrança passa a ser feita por uso. Modelos maiores, conhecidos como modelos de raciocínio, consomem significativamente mais tokens porque processam as informações de maneira introspectiva antes de gerar uma resposta, elevando o custo de cada interação. A recomendação da Walmart para que os funcionários escolham seus modelos com cuidado busca justamente evitar que tarefas relativamente simples, como análise de planilhas e criação de apresentações, sejam executadas em modelos de fronteira mais caros do que o necessário.

Outra fonte de custos inesperados está no uso de sistemas multiagente, nos quais múltiplos agentes de inteligência artificial trabalham em conjunto de forma iterativa até alcançar um resultado desejado. Nessas situações, o custo real de resultados abaixo do esperado, que exigem refazer prompts e revisar entregas, se torna mensurável em dinheiro de fato.

O cenário reflete uma tendência mais ampla do setor. Provedores como Anthropic e OpenAI já migraram seus planos empresariais de maior valor para o modelo de cobrança por uso. A Microsoft também passou a cobrar por seu GitHub Copilot, ferramenta de inteligência artificial voltada ao desenvolvimento de software, a partir de junho. A Uber, por sua vez, revelou que consumiu todo o seu orçamento de inteligência artificial previsto para 2026 nos primeiros quatro meses do ano, um indicativo claro do impacto das novas políticas de cobrança sobre os usuários finais.

Ao estabelecer limites de tokens por funcionário, a Walmart busca manter o controle sobre seus custos operacionais, promover um uso mais consciente das ferramentas de inteligência artificial e criar condições para medir com mais precisão o retorno sobre o investimento nessas tecnologias. A decisão evidencia o desafio que grandes corporações enfrentam ao tentar equilibrar os ganhos de produtividade apontados pelo uso de inteligência artificial com o custo real de sua implementação em larga escala.

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