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OpenAI afirma que modelo de IA resolveu problema aberto de Erdős de 1946

30/05/2026
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A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT, anunciou que um de seus modelos internos de inteligência artificial resolveu um problema matemático em aberto há oito décadas. A questão, conhecida como problema da distância unitária no plano, foi formulada pelo matemático húngaro Paul Erdős em 1946 e representava um desafio central para a geometria computacional. Segundo a empresa, esta seria a primeira vez que um sistema de IA resolve de forma autônoma um problema em aberto considerado fundamental para uma área específica da matemática.

O resultado foi posteriormente revisado e validado por matemáticos externos à OpenAI, o que confere maior credibilidade à alegação. O anúncio foi feito na semana passada e acompanha um artigo de pesquisa em que os cientistas da empresa detalham a abordagem utilizada pelo modelo.

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O problema proposto por Erdős investiga uma pergunta de aparência simples: qual é o número máximo de pares de pontos que podem estar separados por exatamente uma unidade de distância em um plano bidimensional? Na formulação original, o próprio Erdős sugeriu que esse número cresceria um pouco mais rápido do que a quantidade total de pontos considerados. Desde então, pesquisadores tentam estabelecer limites superiores e inferiores mais precisos para essa questão.

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Até o momento, o limite superior mais rigoroso conhecido havia sido estabelecido em 1984. De acordo com a OpenAI, seu modelo identificou um conjunto de configurações que ultrapassou o limite associado a esse trabalho anterior, avançando significativamente o entendimento do problema.

Um aspecto relevante destacado pela empresa é que o modelo empregado não foi treinado especificamente para resolver questões matemáticas. Trata-se de um sistema de raciocínio geral, o que sugere que a capacidade de abstração lógica desenvolvida pelo modelo pode ser aplicada a diferentes domínios do conhecimento.

No artigo de pesquisa associado ao trabalho, os cientistas da OpenAI explicam que o sistema empregou uma abordagem considerada inédita para substituir uma teoria normalmente ligada ao problema da distância unitária no plano. Os conceitos utilizados já eram conhecidos por especialistas em teoria algébrica dos números, mas a conexão dessas ideias com questões geométricas surpreendeu até mesmo os pesquisadores.

Apesar de atribuir a descoberta à inteligência artificial, a OpenAI enfatizou que matemáticos externos foram convidados a revisar e confirmar os resultados. Esses pesquisadores também produziram um artigo complementar explicando o contexto da solução encontrada pelo modelo.

Thomas Bloom, matemático da Universidade de Manchester e responsável por um site dedicado aos problemas de Erdős, participou da revisão. Ele afirmou que a demonstração produzida pela IA era válida, mas foi significativamente aprimorada por pesquisadores humanos da OpenAI e por outros matemáticos envolvidos no processo. Segundo Bloom, a participação humana continua sendo fundamental para discutir, interpretar e aperfeiçoar provas matemáticas, além de investigar suas consequências.

A reação da comunidade matemática foi majoritariamente positiva. Tim Gowers, professor de matemática da Universidade de Cambridge e medalhista Fields, classificou a solução como um marco para a matemática produzida por inteligência artificial. Ele afirmou que, se o artigo tivesse sido escrito por um pesquisador humano e submetido à prestigiada revista Annals of Mathematics, sua recomendação seria pela aceitação sem hesitação. Gowers também ressaltou que nenhuma demonstração gerada por IA havia alcançado um nível semelhante anteriormente.

A OpenAI argumenta que o resultado demonstra que sistemas de IA podem contribuir de forma concreta para pesquisas de fronteira em áreas científicas consolidadas. Ainda assim, a empresa ressalta que a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio aos matemáticos, e não como substituta do trabalho humano.

O anúncio, porém, chega em um contexto de cautela. Em outubro do ano passado, representantes da OpenAI, incluindo o gerente Kevin Weil e o executivo Sebastien Bubkeck, afirmaram que o GPT-5 havia resolvido dez problemas matemáticos não solucionados atribuídos a Erdős e avançado em outros onze. Bubkeck posteriormente retirou a afirmação e apagou sua publicação inicial após especialistas, entre eles Thomas Bloom, apontarem que os problemas mencionados já haviam sido resolvidos anteriormente por matemáticos humanos.

Esse episódio anterior ajuda a explicar por que a OpenAI desta vez investiu em um processo de validação externa com matemáticos independentes antes de tornar o anúncio público. A revisão por pares e a produção de um artigo complementar por pesquisadores externos buscam diferenciar esta alegação das afirmações feitas em 2025.

A conquista, se confirmada de forma definitiva pela comunidade matemática, pode ter implicações para áreas como geometria computacional, teoria dos números e ciência da computação de modo geral. O resultado reforça a percepção de que modelos de linguagem e sistemas de raciocínio baseados em inteligência artificial estão evoluindo de ferramentas de apoio à produtividade para agentes capazes de contribuir com descobertas científicas genuínas.

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