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Projeto brasileiro usa IA e avatares para preservar conhecimento de profissionais com ELA

28/05/2026
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Uma parceria entre a Faculdade Unimed e a startup brasileira WorkAI resultou no ExtensIA, um projeto que combina inteligência artificial, rastreamento ocular e avatares digitais para permitir que profissionais acometidos por doenças neurodegenerativas continuem exercendo suas atividades intelectuais. A iniciativa tem como primeiro caso piloto uma psiquiatra diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) que conseguiu retomar suas aulas e atividades acadêmicas sem precisar mover o corpo.

A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os movimentos corporais, mas preserva as funções cognitivas dos pacientes. Foi exatamente essa lacuna entre a capacidade intelectual mantida e a limitação física imposta pela doença que motivou a criação do ExtensIA, que se encontra atualmente em fase beta.

O projeto receberá aproximadamente R$ 5 milhões em investimentos e conta com patrocínio da Seguros Unimed, Unimed Campinas e Unimed-BH. Como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), a Fundação Unimed, mantenedora da Faculdade Unimed, é responsável pela coordenação científica e institucional da iniciativa.

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A tecnologia foi pensada para atender profissionais de diferentes áreas, como medicina, direito, educação, pesquisa e gestão, que mantenham suas capacidades cognitivas intactas apesar das limitações motoras severas. A proposta é demonstrar que a deficiência física não precisa representar o fim da produção intelectual, podendo marcar o início de uma nova forma de atuação profissional.

O primeiro caso de uso do ExtensIA é a psiquiatra Maria Inês Quintana, reconhecida como uma das principais especialistas em transtorno de personalidade borderline do país. Professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde Mental da Faculdade Unimed, Maria Inês foi diagnosticada com ELA há três anos. Desde então, passou a utilizar tecnologias assistivas baseadas em rastreamento ocular para se comunicar e, agora, com o suporte do ExtensIA, voltou a realizar atividades acadêmicas e profissionais.

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O projeto foi estruturado em três frentes complementares. A primeira consiste em um agente clínico de inteligência artificial treinado com o acervo intelectual e científico da própria psiquiatra. Esse agente é capaz de incorporar o conhecimento acumulado ao longo de décadas de carreira, permitindo que a expertise da profissional continue acessível mesmo com o avanço da doença.

A segunda frente envolve a criação de um avatar digital que pode reproduzir aulas e palestras em diferentes idiomas, acompanhado de um sistema multiagente voltado ao suporte acadêmico e educacional. Esse recurso amplia significativamente o alcance do conteúdo produzido pela profissional, ultrapassando barreiras linguísticas e físicas.

A terceira frente integra as ferramentas do ExtensIA aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed. Agentes de inteligência artificial ficam responsáveis por tarefas como organização de grades curriculares, análise de ementas e apoio à gestão acadêmica, facilitando a rotina administrativa e permitindo que o profissional concentre seus esforços na supervisão intelectual.

Um ponto central do projeto é que a supervisão final e a validação de todos os conteúdos continuam sob responsabilidade de Maria Inês. O controle intelectual e decisório sobre todo o processo é preservado, garantindo que a tecnologia funcione como uma extensão da profissional e não como substituta.

Eduardo Barros, CEO da WorkAI, destacou que, no caso da psiquiatra, a tecnologia foi desenvolvida para garantir que limitações físicas não interrompam trajetórias profissionais construídas ao longo de décadas. Segundo ele, o ExtensIA integra inteligência artificial e recursos assistivos para ampliar a autonomia e permitir que profissionais continuem atuando, ensinando, pesquisando e compartilhando conhecimento mesmo diante do avanço de doenças neurodegenerativas.

A previsão é de que o projeto tenha uma expansão gradual nos próximos meses, com o objetivo de consolidar o uso da inteligência artificial assistiva como ferramenta de inclusão, autonomia e preservação do conhecimento especializado no Brasil.

O ExtensIA se destaca por unir tecnologias de ponta a uma finalidade de impacto social direto. Enquanto grande parte das aplicações de inteligência artificial no mercado está voltada à produtividade corporativa e automação de processos, o projeto brasileiro aponta para um uso da IA centrado na dignidade e na continuidade profissional de pessoas enfrentando condições médicas limitantes.

Com o avanço das pesquisas em rastreamento ocular, avatares digitais e modelos de linguagem, iniciativas como o ExtensIA tendem a se tornar mais viáveis e acessíveis. A combinação dessas tecnologias pode transformar a relação entre pessoas com deficiência motora severa e o mercado de trabalho, abrindo caminho para que o conhecimento especializado não seja perdido devido a condições de saúde.

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