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Meta demite 8 mil funcionários e redireciona recursos para inteligência artificial

21/05/2026
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A Meta, empresa controladora do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, iniciou nesta quarta-feira (20 de maio) o desligamento de aproximadamente 8 mil funcionários em uma reestruturação que visa concentrar gastos no desenvolvimento de inteligência artificial. A informação, inicialmente reportada pela agência Bloomberg, foi confirmada ao g1 por um funcionário da companhia que preferiu não se identificar. Os cortes representam cerca de 10% da força de trabalho total da organização, que contava com 78.865 empregados em dezembro de 2025, conforme dados da agência France Presse.

A decisão se insere em um movimento mais amplo das grandes empresas de tecnologia de realocar recursos humanos e financeiros em direção à IA. Enquanto as demissões afetam áreas variadas da companhia, a Meta também anunciou a transferência de outros 7 mil colaboradores para projetos ligados à inteligência artificial, uma mudança descrita como obrigatória pela empresa.

As primeiras notificações de demissão foram enviadas a funcionários na Ásia a partir das 4h no horário de Singapura. Trabalhadores nos Estados Unidos receberam a comunicação em seguida. Ainda não foi possível confirmar se funcionários da Meta no Brasil foram impactados pelos cortes.

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O clima interno já era tenso nas semanas que antecederam o anúncio. A própria empresa havia sinalizado internamente que realizaria desligamentos, o que gerou insegurança entre os colaboradores desde o final de abril. A confirmação oficial veio por meio de um memorando da diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, que afirmou que a medida busca tornar a gestão da companhia mais eficiente e compensar os volumosos investimentos na área de inteligência artificial.

A Meta planeja destinar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões ao longo de 2026, com foco principal na construção de infraestrutura para IA, incluindo aquisição de chips e expansão de centros de dados. Esse volume de recursos coloca a empresa entre as que mais investem globalmente no setor, ao lado de rivais como Microsoft, Google e Amazon.

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No fim de fevereiro, a Meta já havia anunciado um acordo com a AMD, fabricante de semicondutores, para a compra de milhões de chips por um valor de ao menos US$ 60 bilhões. O contrato reforça a estratégia da empresa de garantir capacidade computacional para treinar e executar modelos de IA cada vez mais complexos, uma exigência técnica que demanda equipamentos de alto custo.

A combinação entre gastos crescentes com infraestrutura e o corte de pessoal reflete uma tendência do setor. Empresas como Alphabet, Amazon e Microsoft também realizaram demissões expressivas nos últimos dois anos, ao mesmo tempo em que multiplicaram seus orçamentos de inteligência artificial. O padrão indica que o mercado entende a IA como o principal motor de crescimento futuro e está disposto a sacrificar equipes para financiar essa aposta.

Além da reestruturação interna, a Meta enfrenta dificuldades nas bolsas de valores. As ações da empresa vêm apresentando desempenho negativo em Nova York, o que pode estar influenciando a pressão por redução de custos. A queda nas cotações soma-se ao cenário de incerteza econômica global e à competição acirrada entre as big techs pelo domínio em IA.

A realocação dos 7 mil funcionários para iniciativas de inteligência artificial, comunicada na segunda-feira anterior aos desligamentos, mostra que a reestruturação não se resume a cortes. A companhia está reposicionando parte significativa de sua equipe para áreas consideradas estratégicas, embora a transição não seja opcional. Esse tipo de movimentação interna pode gerar atritos, especialmente entre profissionais cujas habilidades não se alinham diretamente às demandas da área de IA.

O impacto das demissões da Meta deve ser sentido no mercado de trabalho global de tecnologia. Com milhares de profissionais qualificados sendo desligados simultaneamente em diferentes países, a oferta de mão de obra especializada tende a aumentar em regiões como Estados Unidos e Ásia. No Brasil, o efeito direto dependerá de eventuais cortes locais, mas o reflexo indireto sobre o mercado de tecnologia como um todo dificilmente será pequeno.

A Meta ainda não se manifestou publicamente sobre os detalhes da reestruturação. O g1 informou que entrou em contato com a empresa e aguarda retorno. Enquanto isso, o processo de demissão segue seu curso nas operações globais da companhia, marcando mais um capítulo do reordenamento das big techs em torno da inteligência artificial.

A tendência de priorizar investimentos em IA em detrimento de outras áreas corporativas deve se manter nos próximos anos. Com gastos planejados na casa das centenas de bilhões de dólares, a Meta deixa claro que considera a inteligência artificial como prioridade absoluta em sua estratégia de negócios. O custo humano dessa aposta, no entanto, está sendo cobrado na forma de milhares de postos de trabalho eliminados e de uma reestruturação que altera profundamente a cultura e o funcionamento de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.

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