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Claude recupera 5 BTC bloqueados há 11 anos em carteira perdida

19/05/2026
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Um utilizador de Bitcoin permaneceu durante 11 anos sem acesso à sua carteira digital, que continha 5 BTC avaliados em aproximadamente 400 mil dólares. A recuperação do saldo só foi possível graças ao Claude, modelo de inteligência artificial da Anthropic, empresa criadora do assistente Claude. O caso foi compartilhado publicamente na rede social X e rapidamente se tornou um exemplo prático do uso de IA na resolução de problemas com impacto financeiro real.

A história remonta a 2015, quando o utilizador @cprkrn comprou os cinco Bitcoin por cerca de 250 dólares cada, valor que, na época, não motivava cuidados rigorosos com a segurança da carteira. Em uma noite de consumo de cannabis, ele alterou a senha da carteira hospedada na plataforma Blockchain.com e, em seguida, esqueceu-a completamente. Desde abril daquele ano, o acesso ficou bloqueado.

Ao longo dos anos, o utilizador tentou diversas abordagens para recuperar o acesso. A principal ferramenta utilizada foi o btcrecover, um programa de código aberto desenvolvido especificamente para a recuperação de carteiras Bitcoin. Segundo análise posterior realizada pelo próprio Claude, foram testadas cerca de 3,5 bilhões de combinações de senhas diferentes sem que nenhuma delas funcionasse. A carteira permanecia inacessível.

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A mudança de estratégia ocorreu algumas semanas atrás, quando o utilizador encontrou um antigo mnemônico em um caderno da faculdade. Percebendo que se tratava de uma senha antiga e não da que havia sido definida no momento do bloqueio, ele decidiu buscar ajuda da inteligência artificial. Para isso, compartilhou com o Claude o conteúdo completo do antigo computador utilizado durante a faculdade, permitindo que o modelo analisasse os dados com detalhe.

Foi nessa análise exaustiva que o Claude identificou um arquivo de carteira antigo, datado de dezembro de 2019, que continha as chaves privadas necessárias para acessar a conta na Blockchain.com. Além disso, o modelo encontrou uma cópia de segurança ainda mais antiga e identificou um erro na configuração da senha, onde a chave compartilhada e as senhas potenciais não estavam sendo combinadas corretamente pelo btcrecover.

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Nenhuma dessas descobertas, isoladamente, seria suficiente para desbloquear a carteira. No entanto, ao reunir as informações, o Claude estabeleceu a correspondência entre o mnemônico encontrado no caderno e os endereços associados ao arquivo de carteira específico. Com o erro de configuração corrigido, a carteira foi descriptografada e o acesso restabelecido após mais de uma década.

Após a recuperação, o utilizador publicou mensagens comemorativas na rede social X, agradecendo à Anthropic e ao seu diretor-executivo, Dario Amodei. Em tom de entusiasmo, ele chegou a afirmar que daria o nome de Amodei ao seu filho. Os posts viralizaram rapidamente, atraindo a atenção da comunidade de criptomoedas e de profissionais de tecnologia.

O caso de @cprkrn não é o primeiro de Bitcoin perdido sem esperança de recuperação. O caso mais conhecido é o de James Howells, programador do Reino Unido que descartou acidentalmente um disco rígido contendo 8 mil BTC. Atualmente, esse montante equivale a aproximadamente 647 milhões de dólares. O disco foi enviado para um aterro sanitário com 1,4 milhão de toneladas de resíduos, tornando praticamente impossível a sua recuperação física.

A diferença fundamental entre as duas situações reside na existência de vestígios digitais que puderam ser analisados. No caso do utilizador @cprkrn, os arquivos do antigo computador e o mnemônico guardado em um caderno forneceram ao Claude material suficiente para cruzar informações e identificar a falha técnica que impedia a recuperação pela ferramenta tradicional.

O papel desempenhado pelo Claude nesta recuperação ilustra uma categoria de aplicação da inteligência artificial ainda pouco explorada: a análise forense digital de dados desestruturados. Modelos de linguagem como o Claude são capazes de processar grandes volumes de arquivos de diferentes formatos e identificar padrões de conexão entre eles, algo que seria trabalhoso e demorado para uma pessoa realizar manualmente.

É importante ressaltar que o Claude não executou ataques de força bruta nem quebrou criptografia diretamente. O modelo identificou um erro de configuração na forma como a ferramenta btcrecover combinava os dados fornecidos pelo utilizador, o que já era suficiente para que nenhuma das 3,5 bilhões de tentativas anteriores funcionassem. A correção desse parâmetro, aliada à associação correta entre o mnemônico e o arquivo de carteira, resolveu o problema.

A plataforma Blockchain.com, onde a carteira estava hospedada, é uma das mais conhecidas no mercado de criptomoedas e permite que os utilizadores armazenem suas chaves privadas tanto de forma custodiada quanto não custodiada. O caso reforça a importância de manter cópias de segurança atualizadas e de documentar procedimentos de recuperação de acesso, especialmente quando se trata de ativos de alto valor.

O valor dos 5 BTC recuperados subiu significativamente desde 2015, quando cada unidade custava cerca de 250 dólares. A valorização do Bitcoin ao longo dos anos transformou um investimento modesto em uma soma relevante, o que torna a recuperação ainda mais notável. O episódio demonstra que, mesmo em situações aparentemente sem solução, a combinação de persistência humana e capacidade analítica de modelos de IA pode produzir resultados concretos.

Histórias como esta tendem a se multiplicar à medida que mais pessoas reconhecem o potencial da inteligência artificial como ferramenta de apoio em tarefas complexas de análise de dados. No campo da segurança digital e da recuperação de ativos, os modelos de linguagem oferecem uma camada adicional de investigação que complementa as ferramentas tradicionais, desde que o utilizador disponha de vestígios digitais ou registros que possam ser processados.

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