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Desconexão Digital e Desconfiança: Como a Internet Precária e as Redes Sociais Alimentam a Desinformação nas Periferias e Territórios Indígenas

14/05/2026
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Internet precária e dificuldade de identificar informações impulsionam desinformação no Brasil, aponta pesquisa

Uma pesquisa divulgada pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas revelou que a falta de acesso à internet ou a conexão de baixa qualidade continua sendo um dos principais obstáculos para que pessoas em periferias e territórios indígenas consigam se manter informadas no país. O estudo, intitulado "Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil", foi baseado em entrevistas com cerca de 1,5 mil pessoas realizadas em três cidades brasileiras: Santarém, no Pará, Recife, em Pernambuco, e São Paulo, na capital paulista.

De acordo com os dados levantados, um em cada quatro entrevistados relatou dificuldades para se conectar à internet, o que dificulta o acesso a informações de qualidade e confiáveis. Além do problema de infraestrutura de conectividade, a pesquisa identificou que a desconexão do público com os meios de comunicação tradicionais também contribui para afastar essas populações de conteúdos jornalísticos mais confiáveis. A combinação entre internet precária e falta de familiaridade com fontes de informação confiáveis cria um cenário favorável para a propagação de notícias falsas.

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O estudo mostrou ainda que os moradores de periferias enfrentam maior dificuldade para identificar se uma notícia é falsa ou verdadeira. Segundo os dados, 17% dos entrevistados nessas regiões relataram essa dificuldade, um índice que demonstra a vulnerabilidade dessas populações diante da desinformação. A falta de tempo também foi apontada como um fator que prejudica a capacidade de as pessoas verificarem a veracidade das informações que consomem diariamente.

Em relação aos canais de acesso à informação, a pesquisa constatou que aplicativos de mensagens e redes sociais, como o WhatsApp e o Instagram, são os meios mais utilizados pelos entrevistados para consumir notícias. Em seguida, aparecem a televisão aberta, o rádio e os sites de notícias. Esse cenário mostra que plataformas digitais se tornaram a principal via de contato com informações, especialmente em comunidades onde o acesso a meios tradicionais de comunicação é mais limitado.

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Apesar de as redes sociais e os aplicativos de mensagens serem os mais acessados, a pesquisa revelou uma distinção importante em relação à confiança. Os meios de comunicação tradicionais, os sites de notícias e fontes como pessoas conhecidas, professores e lideranças comunitárias foram considerados mais confiáveis para obter informações verdadeiras. Já os grupos de mensagens e os influenciadores digitais foram apontados como fontes menos confiáveis, embora sejam amplamente consumidos.

Os resultados do levantamento evidenciam um quadro em que a desigualdade no acesso à infraestrutura digital se soma à dificuldade de distinguir informações confiáveis daquelas que são falsas ou enganosas. A conexão instável limita não apenas o volume de informações acessíveis, mas também a capacidade de cruzar dados e verificar fontes, etapas fundamentais para combater a desinformação.

Para os responsáveis pela pesquisa, melhorar a qualidade da conexão à internet nessas regiões é um passo essencial, mas não suficiente. É necessário também investir em estratégias que conectem essas populações a meios de comunicação nos quais elas possam confiar, aproximando o conteúdo jornalístico da realidade desses territórios e fortalecendo a presença de vozes locais no cenário informativo.

O estudo da Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas reforça que o combate à desinformação no Brasil precisa considerar as particularidades de cada território. Enquanto a conexão precária dificulta o acesso a informações de qualidade, a falta de familiaridade com a verificação de fontes torna essas populações mais expostas a conteúdos falsos, especialmente em ambientes digitais dominados por redes sociais e aplicativos de mensagens.

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