PUBLICIDADE

Elon Musk depõe em julgamento contra a OpenAI por desvio de missão

01/05/2026
6 visualizações
3 min de leitura
Imagem principal do post

Elon Musk prestou depoimento em um tribunal dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 30 de abril, como parte de uma ação judicial contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. O empresário acusa a organização, e seu cofundador Sam Altman, de trair a missão original de operar como uma entidade sem fins lucrativos. O caso é central para o setor de inteligência artificial, pois questiona a governança e a transição de modelos de pesquisa para estruturas comerciais.

Durante o interrogatório, Musk foi questionado pelo advogado da OpenAI, William Savitt, sobre a leitura de documentos enviados em agosto de 2017. Esses documentos tratavam da transição da companhia para um modelo com fins lucrativos sob supervisão. O bilionário admitiu que não leu as cláusulas detalhadas dos termos, afirmando ter lido apenas a manchete do documento.

Imagem complementar

Musk argumenta que Sam Altman, atual CEO da OpenAI, garantiu a ele que a organização permaneceria como uma instituição sem fins lucrativos. O empresário sustenta que transformar uma entidade de caridade em uma empresa lucrativa configura apropriação indébita. Em seu pedido judicial, ele busca a destituição de Altman e do presidente Greg Brockman de seus cargos de diretoria.

PUBLICIDADE

Além da mudança na governança, Musk solicita uma indenização de 150 bilhões de dólares. O valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. A ação também envolve a Microsoft, uma das principais investidoras da empresa, devido ao seu papel no financiamento e suporte tecnológico.

Em contrapartida, a OpenAI afirma que a criação de uma estrutura com fins lucrativos era necessária para atrair investimentos privados. Segundo a empresa, esse capital é essencial para expandir a capacidade computacional e remunerar cientistas qualificados. A organização alega que Musk é movido por um desejo de controle e ressentimento pelo sucesso da empresa após sua saída do conselho em 2018.

A OpenAI também argumentou que Musk não priorizou a segurança enquanto liderou a organização. A empresa destaca que o empresário agora promove a xAI, unidade de inteligência artificial da SpaceX, que possui menor adoção de usuários em comparação ao ChatGPT. O assistente de inteligência artificial baseado nos modelos GPT popularizou a tecnologia globalmente.

O clima no tribunal foi tenso, com Musk demonstrando frustração ao ser interrompido pelo advogado da acusação. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers advertiu o advogado da OpenAI por não permitir que Musk concluísse suas respostas. No entanto, a magistrada rejeitou as queixas formais do empresário sobre a condução do interrogatório.

Um ponto de conflito ocorreu quando o advogado de Musk, Steven Molo, tentou incluir depoimentos de especialistas sobre o risco de extinção humana causado pela inteligência artificial. A juíza negou o pedido, afirmando que a segurança da tecnologia não era o objeto do julgamento. Ela mencionou a ironia de Musk criar a xAI enquanto alerta sobre tais riscos.

Questionado sobre a xAI, Musk admitiu que sua empresa utilizou a OpenAI para treinar modelos próprios. Ele justificou a ação afirmando que usar outras inteligências artificiais para validar a própria tecnologia é uma prática comum no setor de desenvolvimento de software.

A OpenAI evoluiu de um laboratório de pesquisa fundado em 2015 para uma empresa avaliada em mais de 850 bilhões de dólares. Atualmente, a organização planeja realizar uma oferta pública de ações, com avaliações que podem chegar a 1 trilhão de dólares.

O julgamento, que começou na segunda-feira, deve durar várias semanas. Após o depoimento de Musk e de seu assessor Jared Birchall, os próximos a serem ouvidos serão Greg Brockman e o especialista Stuart Russell.

O desfecho do processo pode redefinir a estrutura jurídica de empresas de tecnologia que migram de modelos acadêmicos para comerciais. A decisão impactará a forma como a propriedade intelectual e as missões sociais são geridas em setores de alta inovação.

PUBLICIDADE

Leitura recomendada

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!