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Artemis 2: Os 10 dias que levarão a humanidade de volta à Lua em missão histórica

02/04/2026
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NASA detalha plano de dez dias da Artemis 2 após lançamento histórico

A NASA confirmou o sucesso do lançamento da missão Artemis 2 na noite de quarta-feira (1º), marco que representa o retorno de humanos à órbita da Lua após mais de cinquenta anos. O foguete Space Launch System partiu do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, transportando quatro astronautas a bordo da cápsula Orion. Esta expedição configura a primeira missão tripulada do programa Artemis e interrompe um período de ausência humana no ambiente lunar que durava desde o encerramento do programa Apollo em 1972.

O plano da agência espacial estadunidense estabelece uma jornada de dez dias com diversos objetivos técnicos e científicos. O ponto culminante da trajetória ocorrerá na próxima segunda-feira (06), quando a cápsula realizará o sobrevoo lunar. Embora não haja previsão de pouso na superfície do satélite, a manobra levará a espaçonave a aproximadamente 7,5 mil quilômetros além da Lua, distância suficiente para estabelecer um novo recorde de afastamento da Terra por seres humanos. O recorde atual pertence à tripulação da Apollo 13, estabelecido em 1970, com cerca de 400 mil quilômetros de distância do nosso planeta.

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A missão conta com quatro tripulantes que compõem a equipe histórica: Christina Koch, Victor Glover, Jeremy Hansen e Reid Wiseman. Este grupo particular representa a primeira vez que mais de três astronautas realizam simultaneamente uma viagem desse tipo. A bordo da cápsula Orion, desenvolvida em colaboração internacional com contribuições da Agência Espacial Europeia, a equipe executará uma série de procedimentos essenciais para validar os sistemas necessários para futuras missões que incluirão o pouso lunar.

A programação para o segundo dia de voo concentra preparativos cruciais. Os astronautas Reid Wiseman e Victor Glover iniciarão as atividades configurando e verificando o dispositivo de exercício do volante de inércia da Orion, seguido da primeira sessão de exercícios físicos da missão. Christina Koch e Jeremy Hansen terão suas atividades físicas programadas para o período posterior. Estas sessões servem como testes adicionais para os sistemas de suporte à vida da cápsula antes da manobra definitiva de saída da órbita terrestre. O evento principal do dia será a injeção translunar, uma queima crítica do motor que colocará a Orion em rota de colisão com a Lua. Esta manobra utiliza o motor principal do Módulo de Serviço Europeu, equipamento capaz de gerar até seis mil libras de empuxo, força suficiente para acelerar um veículo automotivo de 0 a 96 quilômetros por hora em aproximadamente 2,7 segundos.

No terceiro dia de missão, a tripulação executará a primeira correção de trajetória de saída, procedimento necessário para garantir que a Orion permaneça na rota correta ao redor do satélite. Jeremy Hansen ficará responsável pela preparação dessa ignição, que ocorrerá após o almoço da equipe. O restante do período será dedicado a uma série de verificações e demonstrações de sistemas. Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen realizarão demonstrações de procedimentos de reanimação cardiopulmonar adaptados ao ambiente espacial. Wiseman e Glover verificarão equipamentos médicos da Orion, incluindo termômetros, monitores de pressão arterial, estetoscópios e otoscópios. Christina Koch reservará tempo para testar o sistema de comunicação de emergência da Rede de Espaço Profundo. Ao final do dia, todos os quatro tripulantes se reunirão para ensaiar a coreografia do trabalho de observação científica programado para o sexto dia de voo.

O quarto dia de missão continuará com refinamentos na trajetória da espaçonave através de uma segunda queima de correção. Cada membro da tripulação terá uma hora dedicada à revisão dos alvos geográficos que deverão fotografar durante a aproximação máxima da Lua. Estes alvos variam conforme o horário e dia do lançamento, tornando necessário um estudo detalhado do que exatamente deverão procurar ao se aproximarem da superfície lunar. A programação reserva vinte minutos específicos para fotografia de corpos celestes através das janelas da Orion, embora a tripulação provavelmente registre imagens com frequência ao longo de toda a missão.

No quinto dia, a Orion entrará na esfera de influência lunar, momento em que a força gravitacional do satélite superará a da Terra. Este período será dedicado quase integralmente aos testes dos trajes espaciais, oficialmente denominados Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion. Os trajes de coloração laranja protegem os astronautas durante o lançamento e reentrada, mas também podem funcionar como atmosfera respirável por até seis dias em caso de despressurização da cápsula. Como primeiros humanos a utilizar estes novos trajes no espaço, a tripulação realizará testes de vestimenta e pressurização rápida, instalação dos assentos enquanto vestem os trajes, e alimentação através de porta especial no capacete. A tarde do quinto dia contemplará a última correção de trajetória antes da passagem pela Lua.

O sexto dia representa o momento de máxima aproximação do satélite e o ponto de maior afastamento da Terra. A tripulação alcançará distâncias entre 6,4 mil e 9,6 mil quilômetros da superfície lunar enquanto contorna o lado oculto do satélite. Nesta posição, a Lua deverá parecer do tamanho de uma bola de basquete à distância de um braço estendido. Os astronautas dedicarão a maior parte do dia a registrar fotografias e vídeos da superfície lunar, tornando-se os primeiros humanos a observar diretamente algumas regiões do satélite. As observações serão registradas em tempo real, incluindo durante o período de 30 a 50 minutos em que perderão contato com as estações terrestres ao passarem atrás da Lua. Este procedimento permite vincular posteriormente as observações descritas às imagens capturadas.

Na manhã do sétimo dia, a Orion deixará a esfera de influência lunar. Cientistas em terra terão a oportunidade de conversar com a tripulação antes que a espaçonave se afaste excessivamente do satélite. A segunda metade do dia reservará uma nova correção de trajetória de retorno, primeira de três manobras que ajustarão o caminho da Orion de volta ao nosso planeta. O restante do período foi planejado como tempo livre para a tripulação, permitindo descanso antes das tarefas finais que precedem o retorno à Terra.

As atividades do oitavo dia concentram demonstrações técnicas importantes. A tripulação avaliará procedimentos de proteção contra eventos de alta radiação, como erupções solares, utilizando suprimentos e equipamentos da Orion para construir abrigos provisionais. A radiação representa preocupação constante em missões de espaço profundo, e diversos experimentos coletarão dados sobre os níveis de radiação dentro da cápsula. Ao final do dia, os astronautas testarão a capacidade de pilotagem manual da Orion, conduzindo a espaçonave através de tarefas que incluem centralizar alvos nas janelas, posicionar a espaçonave com a cauda voltada para o Sol, e executar manobras de atitude comparando modos de controle de seis e três graus de liberdade.

O nono dia marca o início dos preparativos definitivos para o retorno. A tripulação estudará procedimentos de reentrada e pouso no oceano, além de manter conversa com a equipe de controle de voo. Uma nova correção de trajetória garantirá que a espaçonave permaneça na rota correta. Demonstrações finais incluem testes de sistemas de coleta de resíduos, em caso de falha do banheiro da Orion, e ajustes de roupas de compressão destinadas a prevenir intolerância ortostática. Esta condição pode causar tontura e vertigem quando os astronautas retornarem à gravidade terrestre, e as roupas ajudam o corpo a readaptar o fluxo sanguíneo. Os tripulantes terão suas circunferências corporais medidas e responderão questionários sobre o conforto e facilidade de vestir as peças.

O décimo e último dia da missão Artemis 2 concentra todas as operações necessárias para trazer a equipe de volta em segurança. Uma queima final de correção de trajetória posicionará a Orion na rota exata para pouso no Oceano Pacífico. A tripulação retornará a cabine à configuração original, guardará equipamentos e vestirá os trajes espaciais novamente. O módulo de tripulação se separará do módulo de serviço, expondo o escudo térmico que protegerá a espaçonave das temperaturas de aproximadamente 1.650 graus Celsius durante a travessia atmosférica. Após superar o calor da reentrada, a cobertura do compartimento dianteiro será ejetada para permitir a abertura dos paraquedas. Dois paraquedas de frenagem reduzirão a velocidade para cerca de 495 quilômetros por hora, seguidos por três paraquedas pilotos que acionarão os três paraquedas principais finais. Esta sequência reduzirá a velocidade da cápsula para aproximadamente 27 quilômetros por hora no momento do pouso, onde equipes da NASA e da Marinha dos Estados Unidos aguardarão para receber os astronautas e concluir a missão.

RESUMO: A NASA detalhou o plano completo de dez dias da missão Artemis 2, primeira expedição tripulada ao ambiente lunar desde 1972. Lançada na quarta-feira (1º) do Centro Espacial Kennedy, a missão transporta quatro astronautas a bordo da cápsula Orion e realizará um sobrevoo lunar no próximo dia 6, alcançando até 7,5 mil quilômetros além do satélite. A programação inclui testes de sistemas de suporte à vida, correções de trajetória, avaliação de trajes espaciais, experimentos científicos e procedimentos de retorno seguro. A tripulação, composta por Christina Koch, Victor Glover, Jeremy Hansen e Reid Wiseman, estabelecerá novo recorde de distância da Terra e validará tecnologias essenciais para futuras missões de pouso lunar previstas no programa Artemis.

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