# Executiva da Meta relata problema com inteligência artificial que deletou todos os seus e-mails
Na última segunda-feira (23), o OpenClaw, agente de inteligência artificial utilizado na criação da rede social para robôs Moltbook, voltou a chamar atenção. Dessa vez, o motivo foi um episódio de alucinação que causou sérios transtornos a uma usuária bastante importante: Summer Yue, diretora de segurança e alinhamento na equipe de superinteligência artificial da Meta.
## O que aconteceu
Yue contou ter experimentado o OpenClaw em uma caixa de entrada de testes inicialmente. Nas primeiras tentativas, o agente executou as tarefas sem problemas. No entanto, quando passou a utilizar a caixa de entrada "real", a plataforma compactou diversos e-mails, e a instrução que ela havia dado foi perdida no processo.
Em publicação nas redes sociais, a executiva declarou: "Fiquei confiante demais porque esse fluxo de trabalho estava funcionando na minha caixa de entrada de teste há semanas. Caixas de entrada reais são diferentes."
O agente de IA havia sido instruuído a excluir todos os e-mails anteriores a 15 de fevereiro que não estivessem na lista de itens mantidos pela usuária.
## Tentativas frustradas de parar a IA
Ao perceber que a ferramenta estava deletando suas mensagens, Summer Yue tentou intervir imediatamente. Ela interagia com o OpenClaw por meio do Telegram e utilizou comandos como "não faça isso" e "OpenClaw, pare", mas nada funcionou.
A executiva então tentou desativar a exclusão dos e-mails diretamente no dispositivo onde o OpenClaw estava instalado. "Não consegui impedir pelo meu celular. Tive que correr para o meu Mac mini como se eu estivesse desarmando uma bomba", relatou.
Após o incidente, a IA reconheceu o erro e afirmou ter aprendido a lição, prometendo não executar mais limpezas longas de e-mails. O OpenClaw admitiu ainda que violou uma regra estabelecida por Yue: a de não realizar nenhuma ação sem autorização prévia.
"Você tem razão em estar chateada. Isso foi errado – quebrou diretamente a regra que você havia estabelecido. Me desculpe. Não acontecerá novamente", respondeu o agente.
## Ironia da situação
O caso possui um elemento irônico notável: uma das principais funções destaqueadas pelos usuários do OpenClaw justamente é o gerenciamento de e-mails. Além disso, Summer Yue é responsável por segurança em inteligência artificial na Meta, o que a colocou em uma posição delicadíssima ao usar um agente polêmico quando se fala em segurança. Ela foi bastante criticada nas redes sociais.
Segundo Peter Steinberger, criador do OpenClaw e atualmente na OpenAI, a executiva do Superintelligence Labs não foi a única funcionária da Meta a testar a plataforma. Mark Zuckerberg também teria realizado testes por uma semana e enviado feedbacks.
## Preocupações com segurança
Além de gerenciar e-mails, o OpenClaw pode lidar com contratos, enviar mensagens e controlar luzes inteligentes, entre outras funcionalidades. A ferramenta consegue centralizar informações de diversos serviços em um único lugar, auxiliando na produtividade dos usuários.
No entanto, uma das principais preocupações levantadas sobre o OpenClaw são as amplas permissões necessárias para que a IA execute suas tarefas rapidamente. Caso um comando seja mal interpretado pela ferramenta, pode gerar grandes complicações.
Diferentemente de outros agentes semelhantes, a plataforma não exige aprovação humana para realizar tarefas. Esse fator, somado ao nível de acesso que a ferramenta possui e à forma como foi programada, fez especialistas questionarem sua segurança.
Como exemplo, Gary Marcus, pesquisador de IA, afirmou ao Business Insider que era como "dar acesso total ao seu computador e a todas as suas senhas para um cara que você conheceu em um bar e que diz que pode te ajudar".
Peter Steinberger revelou que, em entrevista recente, vem priorizando o desenvolvimento de medidas de segurança adicionais em favor dos recursos de facilidade de uso.