# E se a IA superar as expectativas? Relatório alerta para uma crise global
Um documento publicado no último domingo (22/02)引起了 repercussão significativa no setor de tecnologia. A consultoria de investimentos Citrini Research causou alvoroço ao projetar um cenário em que a inteligência artificial supera todas as expectativas: o dobro do desemprego e uma queda de mais de um terço no valor das ações.
O relatório, intitulado "A crise global de inteligência de 2028", foi publicado na plataforma Substack e logo nos primeiros parágrafos deixa claro: trata-se de um cenário hipotético, não uma previsão. No entanto, as consequências da divulgação foram bem reais. A bolsa de valores Nasdaq registou uma queda de mais de 1%, com empresas de software como Asana e DocuSign entre as mais afetadas.
## O que o relatório projeta?
Para os analistas da Citrini, o uso disseminado de agentes de IA poderia desencadear uma destruição econômica gigantesca nos próximos dois anos, configurando um "loop negativo sem freio". A hipótese parte do pressuposto de que uma adoção em larga escala da tecnologia levaria a demissões em massa no setor corporativo.
Essa redução drástica no emprego teria um efeito cascata: o poder de compra da populaçãoaria comprometer o crescimento econômico整体. Até mesmo o setor imobiliário sentiria o impacto, já que haveria menos dinheiro disponível para pagar aluguéis elevados em áreas nobres de grandes cidades.
O documento considera que a IA seria adotada por praticamente todos os setores, desintegrando segmentos que, segundo os analistas, foram criados "para monetizar a fricção para humanos" — como corretores, agências de viagem, serviços de contabilidade e empresas de recrutamento.
As projeções são stark: o desemprego nos Estados Unidos dobraria, e o índice S&P 500, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas americanas, cairia 38%.
## Especialistas criticam os pressupostos
Após o relatório viralizar, especialistas em inteligência artificial apontaram diversas falhas no cenário montado pela Citrini Research. Pradeep Sanyal, conselheiro ligado à OpenAI, à Universidade de San Francisco e à W3C, avaliou que o texto não deve ser tratado como uma previsão, mas sim como um teste narrativo de estresse.
Em publicação no LinkedIn, Sanyal chamou atenção para o que considerou uma série de pressupostos "milagrosos" no cenário hipotético. A análise imagina, por exemplo, que agentes de IA seriam capazes de assumir, sem qualquer supervisão, tarefas complexas e de alto risco — algo que muitos especialistas consideram improvável no curto prazo.
Outra simplificação criticada foi considerar que cargos corporativos se resumem a trabalhos burocráticos e de programação, ignorando a complexidade das relações humanas e da tomada de decisões nos negócios.
Joe McKendrick, colunista da Forbes, lembrou de declarações recentes de Alex Pentland, especialista em IA da Universidade de Stanford. Pentland não acredita que a IA substituirá trabalhadores em um futuro próximo e强调 que agentes automatizados sempre precisarão de supervisão humana.
Um ponto crucial destacado pelo pesquisador é que a IA é treinada com dados passados, o que torna a tecnologia pouco sensível a eventos atuais e a novos contextos — uma vantagem significativa dos trabalhadores humanos.
## O impacto no mercado financeiro
Independentemente das críticas metodológicas, fato é que o relatório viralizou tanto no mercado financeiro quanto no setor de tecnologia. E o cenário otimista para a IA e pessimista para a sociedade acabou atingindo as ações de empresas de software.
Empresas como AppLovin, Asana, Zscaler, Varonis Systems, DocuSign, Oracle, Salesforce e Circle Internet Group tiveram quedas expressivas na segunda-feira seguinte (23/02).
Investidores consideram que o alerta da Citrini mostra como esse segmento pode sofrer com as transformações tecnológicas — os clientes dessas empresas podem perder terreno, e os próprios produtos podem ser substituídos por soluções internas montadas com inteligência artificial.
Não é a primeira vez que o mercado reage mal a notícias desse tipo. No início de fevereiro, novas ferramentas para gerar códigos plantaram dúvidas sobre o futuro das empresas de software — se qualquer pessoa puder programar, quem vai contratar soluções prontas?
*Com informações do TechCrunch e da Business Insider*