Nesta quarta-feira, dia 18, um espetáculo celeste raro promete atrair olhares curiosos para o céu noturno, embora restrito a poucas áreas do planeta. Trata-se de uma ocultação lunar de Mercúrio, fenômeno em que a Lua passa diretamente à frente do planeta, escondendo-o temporariamente por trás de seu disco brilhante – algo semelhante a um eclipse, mas envolvendo nosso satélite natural e o menor planeta do Sistema Solar.
De acordo com dados do guia de observação InTheSky.org, o evento inicia às 17h50 no horário de Brasília e se estende até as primeiras horas de quinta-feira, dia 19. Durante esse período, uma Lua crescente, iluminada em apenas cerca de 4%, deslizará suavemente na frente de Mercúrio. No momento culminante da ocultação, o planeta ficará completamente oculto por aproximadamente meia hora.
A visibilidade dessa ocultação é limitada a regiões específicas, como partes dos Estados Unidos, México, leste da Austrália e Nova Zelândia, além de outros países e ilhas nos hemisférios Norte e Sul. Nessas áreas, mapas de observação destacam contornos em vermelho para o desaparecimento de Mercúrio e em azul para seu reaparecimento. Linhas sólidas indicam zonas onde o evento pode ser acompanhado com binóculos a uma altitude confortável no céu, enquanto contornos pontilhados marcam locais onde a ocultação ocorre acima do horizonte, mas pode ser prejudicada pelo céu claro ou pela proximidade da Lua com o horizonte. Fora desses limites, a Lua simplesmente não cruza a trajetória de Mercúrio ou está abaixo do horizonte no momento chave.
Para o restante do mundo, incluindo o Brasil, não haverá ocultação, mas sim uma conjunção entre a Lua e Mercúrio por volta das 20h. Nesse horário, porém, os dois astros já estarão abaixo do horizonte, ofuscados pelo pôr do Sol, já que se encontram na mesma direção. Ainda assim, eles estarão bem próximos, separados por apenas 8 minutos e 2 segundos de arco – distância suficiente para caberem no campo de visão de um telescópio ou binóculos e até serem avistados a olho nu em condições ideais.
Ambos brilharão na constelação de Aquário: a Lua com magnitude aparente de -8,7 e Mercúrio com -0,6. Vale lembrar que a magnitude mede o brilho aparente de um objeto celeste, e quanto menor o valor, mais brilhante ele parece – uma relação inversa. Para comparação, o Sol, o astro mais luminoso do céu, atinge -27.
Febrero ainda reserva mais encontros da Lua com planetas: após Mercúrio, será a vez de Saturno no dia 19 e Júpiter no dia 27. Essa sequência de conjunções acontece porque nosso satélite orbita a Terra em um plano muito próximo ao da eclíptica, o plano em que os planetas giram ao redor do Sol.
Uma curiosidade extra sobre Mercúrio, o planeta mais próximo da nossa estrela: ele possui uma cauda sutil, semelhante à de um cometa. Isso se deve à sua atmosfera rarefeita, composta principalmente por oxigênio (O2), hidrogênio (H2), hélio (He), potássio (K) e traços de sódio (Na). Esses elementos, liberados da superfície e excitados pela luz solar, brilham e formam uma cauda visível, como explica a NASA.