PUBLICIDADE

Marte: Moléculas Orgânicas Misteriosas Levantam Questões Sobre Origem Biológica

12/02/2026
9 visualizações
2 min de leitura
Imagem principal do post

Novos cálculos sugerem que a quantidade de moléculas orgânicas detectadas pela NASA em Marte seria difícil de explicar apenas por processos não biológicos. É essa a conclusão de um estudo recém-publicado na revista Astrobiology, que reavaliou dados coletados pelo rover Curiosity e simulou quanto do material orgânico originalmente presente em uma rocha marciana poderia ter sido degradado ao longo de milhões de anos.

Em 2025, pesquisadores anunciaram a identificação de alcanos de cadeia longa em uma rocha formada por lama endurecida — a amostra conhecida como Cumberland, perfurada pelo Curiosity em 2013. Alcanos são moléculas compostas por carbono e hidrogênio; na Terra, elas podem estar relacionadas a processos biológicos, embora também existam vias abióticas de formação.

Crédito da imagem da perfuração: NASA/JPL-Caltech/MSSS

PUBLICIDADE

A equipe liderada por Alexander Pavlov, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, investigou quanto desses compostos poderia ter existido originalmente antes de a superfície marciana expor a rocha a uma forte radiação cósmica por dezenas de milhões de anos. A amostra Cumberland teria permanecido exposta por cerca de 80 milhões de anos, tempo durante o qual a radiação ionizante degradou progressivamente o material orgânico.

Com base em experimentos de radiólise realizados em laboratório — testes que simulam a quebra de moléculas pela radiação — os pesquisadores modelaram a degradação ao longo do tempo. Hoje, o Curiosity mediu concentrações de alcanos entre 30 e 50 partes por bilhão na amostra. Os modelos, porém, indicam que a concentração inicial poderia ter sido muito maior, variando entre 120 e 7.700 partes por milhão. Esses valores são substancialmente superiores ao que se observa atualmente.

Os autores também avaliaram fontes abióticas capazes de fornecer material orgânico para a rocha: poeira interplanetária, meteoritos, reações hidrotermais, neblina atmosférica e processos químicos como a serpentinização. Segundo os modelos usados no estudo, a soma dessas fontes conhecidas não chega a explicar totalmente a quantidade de orgânicos estimada originalmente. Ainda assim, os cientistas reconhecem que podem existir mecanismos desconhecidos ou fatores ambientais não considerados que contribuam para os resultados.

Crédito da representação artística do Curiosity: Rawpixel.com – Shutterstock

Os pesquisadores deixam claro que suas conclusões não constituem prova de vida em Marte. A investigação aponta, porém, que a origem desses compostos merece um exame mais aprofundado. Marte já havia sido identificado como hospedeiro de diferentes tipos de moléculas orgânicas; a questão agora é entender o que esses sinais revelam sobre as condições de habitabilidade do planeta em seu passado remoto e quais processos geraram e preservaram esse material.

PUBLICIDADE

Comentários

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!