O padrão de carregamento sem fio Qi2.2 chegou em 2025 para ampliar as opções de recarga e o uso de acessórios na traseira de smartphones. A atualização traz maior potência e melhorias no encaixe magnético e no gerenciamento térmico — pontos-chave para tornar a recarga sem fio mais rápida e segura.
Breve histórico do Qi
O padrão Qi (pronuncia-se “tchi”) foi apresentado em 2009 pelo Wireless Power Consortium (WPC). Seu funcionamento básico envolve uma bobina no carregador que transfere energia a até 5 W para dispositivos compatíveis — smartphones, smartwatches, cases de fone e afins — simplesmente quando eles são posicionados sobre a base conectada à tomada ou a uma porta USB. Embora tenha sido uma revolução, o Qi original enfrentou limitações: exigia alinhamento muito preciso entre bobina e aparelho, ficando sensível a deslocamentos, e gerava aquecimento que, a longo prazo, podia afetar a bateria.
Algumas das primeiras adoções comerciais vieram da Nokia, com o Lumia 920, e da Samsung, que em 2012 trouxe suporte via capa oficial para o Galaxy S3. Ainda em 2012, o Nexus 4 (Google/LG) também embarcou a tecnologia. No setor automotivo, a Toyota ofereceu carregamento Qi como opcional no Avalon 2013, seguida depois pela SsangYong.
A evolução para Qi2
Em 2023 o WPC atualizou o padrão para Qi2, elevando a potência máxima para até 15 W e introduzindo anéis magnéticos para melhorar o alinhamento entre aparelho e base. O Qi2 baseou-se amplamente na ideia do MagSafe da Apple — tecnologias de ímãs já haviam sido usadas pela Apple desde o iPhone 12 — e universalizou o uso de ímãs não só para carregamento, mas também para carteiras, suportes e outros acessórios. A linha iPhone 15 foi a primeira a chegar com certificação Qi2 nativa, e a Apple conseguiu habilitar compatibilidade por software em iPhone 13 e 14, pois o hardware magnético já existia nesses modelos. No universo Android, fabricantes vêm estudando formas de integrar ímãs sem interferir em componentes internos; para aparelhos sem ímãs, surgiram capas “Qi2 Ready” que trazem anéis magnéticos e permitem recarga de até 15 W, dependendo da eficiência do conjunto.
O que muda com o Qi2.2 (Qi2 25W)
A versão Qi2.2, também chamada Qi2 25W, passou a ser adotada em 2025 com foco em maior potência e menor superaquecimento. As principais mudanças são:
- Potência de carregamento: o limite sobe para até 25 W, aproximando a velocidade do sem fio à de carregadores com fio oferecidos por algumas marcas, como a Samsung. Isso torna a recarga sem cabo bem mais ágil quando o aparelho e a base estão corretamente acoplados.
- Melhor encaixe magnético: o WPC refinou as especificações do MPP (Magnetic Power Profile). A otimização exige alinhamento ainda mais preciso entre as bobinas, reduzindo perdas de energia e melhorando a dissipação de calor. O resultado é um acoplamento instantâneo e estável, sem necessidade de muitos ajustes manuais.
- Gerenciamento de calor: o Qi2.2 adotou comunicação em tempo real entre carregador e dispositivo, com sensores que monitoram a temperatura e ajustam a voltagem milissegundariamente para evitar superaquecimento. Além disso, a eficiência do novo alinhamento magnético diminui a energia desperdiçada em forma de calor. Muitos carregadores Qi2.2 de alto desempenho também incorporam resfriamento ativo, como ventoinhas silenciosas, para manter a potência máxima com segurança.
Compatibilidade e limitações
Apesar da chegada do Qi2.2, aparelhos anteriores permanecem sujeitos aos limites do seu hardware. Smartphones lançados antes de 2025 — inclusive os que suportavam Qi2 original — continuam frequentemente restritos a 15 W, já que a velocidade máxima é determinada pelos componentes internos do telefone. Ou seja, usar uma base mais potente ou uma capa com ímãs mais fortes não fará um aparelho antigo ultrapassar seu limite de potência, embora permita aproveitar o alinhamento magnético melhorado.
Dispositivos com suporte ao Qi2.2
- iPhone 16 e iPhone 17: a Apple teve papel importante na popularização do carregamento sem fio e, com o reconhecimento do padrão pelo WPC, as linhas iPhone 16 (2024) e iPhone 17 (2025) já chegam compatíveis com Qi2.2, permitindo recarga até 25 W quando acopladas a bases apropriadas.
- Google Pixel 10: lançados em agosto de 2025, os Pixel 10 trazem anéis magnéticos integrados na traseira (batizados de Pixelsnaps), e o Google tem promovido o “Android com MagSafe” por meio de parcerias que ampliam a gama de acessórios, como suportes e bases.
- Galaxy S26: há fortes indícios de que a linha Galaxy S26 suportará o carregamento Qi2 de até 25 W, mas a Samsung optou por não incorporar os anéis magnéticos diretamente na traseira — a estratégia prevista é o uso de capas oficiais equipadas com os anéis, classificando os aparelhos como “Qi2 Ready”. Os modelos S26 têm previsão de apresentação para 25 de fevereiro, com vendas a partir de 11 de março. Segundo relatos da indústria, a Samsung chegou a considerar integrar os ímãs internamente, mas a possibilidade de causar interferência na S Pen ou no carregamento reverso impediu essa adoção.
Exemplos de carregadores e estações com Qi2.2
Alguns produtos já atualizados para o padrão Qi2.2 destacam-se por combinar alta potência com soluções de resfriamento e portabilidade:
- UGREEN MagFlow: aposta na portabilidade com design dobrável e acabamento premium, oferecendo carregamento sem fio rápido de até 25 W em formato compacto e fácil de transportar.
- Belkin UltraCharge Pro 3-in-1: chama atenção pelo sistema de resfriamento com ventoinha silenciosa, que ajuda a manter 25 W por períodos prolongados sem aquecer excessivamente. Tem acabamento em aço inoxidável, braço articulado e módulos dedicados para relógio e earbuds, funcionando como estação 3 em 1 para mesa ou cabeceira.
- Anker Prime Wireless Charging Station (3-in-1): destaca-se por um display inteligente que mostra velocidade de carga e temperatura em tempo real, além de design compacto e dobrável. Entrega até 25 W e inclui resfriamento ativo, com um módulo para relógio que pode ser escondido quando não usado.
Conclusão
O Qi2.2 representa o próximo passo da recarga sem fio: mais potência, encaixe magnético mais preciso e controle térmico aprimorado. Para quem já tem aparelhos compatíveis, a mudança traz ganhos reais em velocidade e conveniência; para dispositivos mais antigos, os benefícios principais serão o alinhamento magnético melhorado, mesmo que a potência máxima fique limitada pelo hardware do próprio aparelho.