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Internet via Satélite no Brasil: A Corrida pelas Conexões e o Futuro Direct-to-Device

08/02/2026
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À medida que a internet via satélite se expande no Brasil, novas operadoras prometem desafiar a liderança que hoje a Starlink detém no país. O sucesso desse tipo de conexão depende não apenas da baixa latência que ela pode oferecer, mas também do preço e da capacidade de levar cobertura a áreas remotas. A expectativa para 2026 é que a tecnologia direct-to-device — que permite ao celular conectar-se diretamente a satélites, sem a necessidade de antenas externas — ganhe escala global. Mais de 50 modelos de celulares já são compatíveis com a Starlink nessa modalidade.

Para que esse ecossistema se desenvolva de forma mais competitiva em âmbito nacional, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem buscado estimular a entrada de novos players. Em entrevista ao Podcast Canaltech, Sidney Nince, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, afirmou que, embora a Starlink detenha quase 50% do mercado de comunicação de dados via satélite no Brasil, não existem barreiras regulatórias para a chegada de outras empresas. Como medida para evitar monopólios, a agência tem concedido autorizações de curto prazo — de cinco anos — para poder reavaliar o cenário conforme a competição evolui.

Nince também destacou que a Anatel já autorizou "cerca de 13 a 15 constelações de satélites em órbita baixa" para operar no país. A maioria dessas constelações pretende oferecer serviços de IoT (Internet das Coisas) via satélite, mas algumas têm planos de fornecer também conexões de banda larga por satélite em órbita baixa. Recentemente, o mercado brasileiro viu novas iniciativas internacionais avançarem: no fim do ano passado, o Amazon Leo — rede de satélites da Amazon que vai oferecer internet via satélite em parceria com a Sky — começou a desembarcar no espaço brasileiro; também foi anunciado o projeto TeraWave, da Blue Origin, que pode expandir globalmente.

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A Anatel já liberou testes iniciais da tecnologia direct-to-device dentro do Sandbox Regulatório, ambiente experimental que permite às empresas operar com regras diferentes para análise e demonstração de novas soluções. Esses testes usam a frequência de uma operadora móvel terrestre, o que exige um acordo comercial entre a empresa de satélite e a operadora de celular, além do aval regulatório da Anatel. Segundo o superintendente, há desafios técnicos importantes: como um satélite em órbita baixa está em movimento, ele cobre uma mesma área por um período curto — cerca de 7 minutos — o que limita a janela disponível para testes. Em Brasília, as demonstrações enfrentaram justamente essas limitações, tanto pela janela de conexão quanto pela distância entre o celular e o satélite.

Diante desses obstáculos, a Anatel enxerga uma evolução mais gradual da conexão direta entre satélite e smartphone. Por ora, a liberação tende a se restringir a serviços pontuais, como chamadas de emergência e envio de mensagens de texto, em vez de permitir navegação plena pela internet via satélite diretamente no celular.

A regulação e os testes em andamento mostram que o Brasil busca equilibrar incentivo à inovação com fiscalização e controle de mercado, enquanto diferentes projetos internacionais e novas constelações se preparam para ampliar as opções de internet via satélite no país.

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