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MAVEN da NASA: Sonda crítica para o estudo de Marte pode ter se perdido para sempre após giro descontrolado

20/01/2026
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A sonda MAVEN, da NASA, perdeu contato com a Terra em 6 de dezembro, após passar por trás de Marte — planeta que monitora em órbita desde 2014. Quando a espaçonave voltou a uma posição de alcance, seus sinais não foram identificados pela Deep Space Network (DSN), a rede de comunicação da agência para missões em espaço profundo.

Em entrevista recente, Louise Prockter, diretora da divisão de ciências planetárias da NASA, mostrou pessimismo quanto à recuperação do equipamento. Segundo reportagem do SpaceNews, durante uma conferência do Grupo de Avaliação de Pequenos Corpos, realizada em Baltimore, Maryland, na terça-feira (13), ela reforçou a suspeita de que a sonda tenha se deslocado da órbita original: “Vamos começar a procurar novamente, mas neste momento parece muito improvável que consigamos recuperá-la”.

A perda de contato coincidiu com o período de conjunção solar entre Terra e Marte, quando o planeta ficou do outro lado do Sol e as comunicações foram interrompidas. Em 9 de janeiro de 2026, Marte esteve em conjunção solar; de modo geral, entre o fim de dezembro e meados de janeiro as trocas de sinais ficam inviabilizadas. Em comunicado publicado em 23 de dezembro, a NASA afirmou que os esforços para restabelecer a comunicação com a MAVEN — sigla em inglês para “Evolução da Atmosfera e dos Voláteis de Marte” — seriam retomados assim que as posições astronômicas permitissem o envio de comandos e o recebimento de dados. Com o término desse período, as tentativas foram reativadas, mas até agora sem sucesso.

Antes da interrupção das comunicações, o último pacote de dados recebido mostrava que os sistemas principais da nave — controle térmico, energia e instrumentos científicos — operavam normalmente. No entanto, uma análise subsequente baseada em um experimento de radiociência indicou que a sonda estava girando descontroladamente. Esse giro poderia ter mudado sua orientação e até sua órbita, o que explicaria a ausência de sinais detectados pela DSN. As redes de espaço profundo dependem de alinhamento preciso entre as antenas terrestres e as antenas de bordo; se a MAVEN estiver rotacionando ou não mais apontada para a Terra, seus transmissores podem estar direcionados para o vazio.

A NASA também mobilizou o rover Curiosity, que explora a superfície marciana desde 2012, para tentar observar a passagem da MAVEN em duas janelas previstas. Se a sonda tivesse seguido a rota esperada, deveria ter cruzado o céu sobre a área acompanhada pelo rover. Contudo, nenhuma imagem foi registrada, o que fortalece a hipótese de desvio da órbita.

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Paralelamente, a agência trabalha para reduzir os impactos dessa falha nas operações de superfície em Marte. A MAVEN é uma das espaçonaves que atuam como relé de comunicações entre a Terra e os robôs que exploram o planeta; com sua perda, outras plataformas passaram a suprir parte dessa função. Atualmente, três orbitadores seguem operando normalmente: o Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e o Mars Odyssey, ambos da NASA, além do ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia (ESA). Eles estão sendo usados para manter o apoio aos rovers Perseverance e Curiosity, que ajustaram suas rotinas para continuar as investigações científicas mesmo sem o auxílio da MAVEN.

Lançada em novembro de 2013, a MAVEN entrou na órbita marciana em setembro do ano seguinte com o objetivo de entender como a atmosfera de Marte se transformou ao longo do tempo e por que grande parte dela escapou para o espaço. A missão observa a camada superior da atmosfera, a ionosfera e a influência do Sol e do vento solar. Esses dados são fundamentais para reconstruir a história climática do planeta, avaliar a presença passada de água líquida e estudar condições que poderiam ter permitido a existência de vida. Em setembro de 2025, a sonda completou 11 anos em órbita, consolidando-se como uma das missões mais duradouras dedicadas ao estudo de Marte.

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