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Crise de Chips de Memória: Escassez Global Acelera e Deve Perdurar Até 2026

19/01/2026
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A Micron, principal fornecedora da Nvidia, alertou que a escassez global de chips de memória se acelerou no último trimestre e deve perdurar além de 2026. O avanço da infraestrutura de inteligência artificial criou um cenário “sem precedentes”, em que a demanda por componentes supera a capacidade produtiva da indústria.

O problema já afeta o planejamento das grandes fabricantes e o bolso do consumidor. Com o trio que domina o mercado — Micron, Samsung e SK Hynix — operando com estoques esgotados para os próximos dois anos, empresas de PCs e smartphones já revisam metas de produção e se preparam para repassar aumentos de custo aos clientes.

A raiz da crise está na memória de alta largura de banda (HBM), peça-chave para que sistemas de IA atinjam desempenho máximo. O processo de fabricação é tão exigente que, para produzir um único bit de HBM, as fábricas têm de abrir mão da produção de três bits de DRAM convencional, usada em notebooks e celulares. Na prática, as linhas priorizam chips para IA — mais lucrativos — e deixam dispositivos do dia a dia em segundo plano.

Diante desse quadro, analistas projetam que os preços da memória RAM podem subir mais de 50% já no primeiro trimestre de 2026. Gigantes como Dell e Apple indicam que a escassez deverá elevar os custos de fabricação. A expectativa é que a memória possa passar a representar até 30% do preço final de um celular, cerca de três vezes o padrão histórico. No varejo especializado de componentes, kits de memória que valiam US$ 300 (aproximadamente R$ 1,6 mil) há poucos meses já são encontrados por valores até dez vezes maiores.

A solução depende da construção de novas fábricas, mas o alívio não virá no curto prazo. A Micron iniciou a construção de uma megafábrica de US$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões) em Nova York, cujos primeiros componentes só devem sair em 2030. Novas unidades em Idaho, Virgínia e Taiwan têm previsão de operar em plena capacidade entre 2027 e 2028. Enquanto isso não acontece, o mercado enfrenta uma mudança estrutural: dispositivos do cotidiano passam a competir por recursos com os supercomputadores que alimentam a revolução da IA.

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