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Direitos Antidumping em Cabos de Fibra Óptica Chineses: Conectividade Brasileira em Risco?

17/01/2026
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A aplicação de direitos antidumping sobre cabos de fibra óptica importados da China acendeu um alerta no setor de telecomunicações brasileiro. A medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) no fim de dezembro de 2025, prevê a cobrança adicional de US$ 2,42 por quilo do produto (cerca de R$ 12,99) e já começa a aparecer nos preços praticados no mercado nacional (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog).

Em nota conjunta, a TelComp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas) e a Abramulti (Associação Brasileira dos Operadores de Telecomunicações e Provedores de Internet) afirmam que a decisão pode elevar de forma relevante o custo de um insumo estratégico para a expansão da conectividade no país. Segundo apuração do TeleSíntese, reajustes já foram observados e passaram a impactar os cálculos financeiros das prestadoras, especialmente as de menor porte.

As entidades deixam claro que não defendem nem apoiam práticas de dumping, mas destacam os efeitos econômicos e sociais do aumento dos custos de importação de cabos e fibras ópticas. Estimativas preliminares apontam que o preço final dos cabos importados da China para prestadoras pequenas pode subir mais de 170%. Considerando a participação desses produtos no mercado, o reajuste tende a pressionar também os preços dos fabricantes nacionais e de cabos vindos de outros países.

Nesse cenário, avaliam TelComp e Abramulti, o preço de equilíbrio de todos os cabos comercializados no Brasil poderia aumentar em torno de 50%. Além dos cabos, o Gecex aplicou medida antidumping também sobre a importação de fibras ópticas, o que, segundo as associações, pode intensificar ainda mais os impactos sobre a cadeia produtiva e o mercado de infraestrutura de telecomunicações.

As possíveis consequências vão além do balanço das empresas. As associações alertam que a elevação generalizada dos custos tende a desacelerar a expansão da banda larga, principalmente em áreas menos atrativas economicamente e entre consumidores de menor renda, com risco de aprofundar o abismo digital num momento em que o país busca ampliar o acesso à internet de qualidade.

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As entidades também apontam impactos potenciais em programas e obrigações públicas: iniciativas de conectividade em escolas, como o programa Aprender Conectado, e exigências relacionadas à implantação da infraestrutura do 5G podem ser afetadas, com risco de redução no número de instituições atendidas e de aumento significativo nos custos dos projetos.

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