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Continentes Secando: O Alarme do Banco Mundial e as Causas Pouco Faladas da Elevação do Nível do Mar

11/01/2026
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Um novo e abrangente relatório do Banco Mundial revela que os continentes estão secando a uma velocidade sem precedentes, tornando-se o maior contribuidor individual para a elevação do nível do mar — à frente até do derretimento das calotas polares. A conclusão vem da análise de 22 anos de dados de satélite da NASA e descreve um processo que os autores chamam de “seca continental”.

Segundo o estudo, as grandes massas de terra perdem, em média, cerca de 324 bilhões de metros cúbicos de água doce por ano — um volume equivalente a quatro piscinas olímpicas sendo drenadas a cada segundo e suficiente para suprir as necessidades anuais de 280 milhões de pessoas. Os principais impulsionadores desse fenômeno são a extração insustentável de águas subterrâneas para a agricultura e o consumo humano, além da evaporação e do derretimento de geleiras.

“Problemas hídricos locais podem rapidamente se alastrar para além das fronteiras nacionais e se tornar um desafio internacional”, afirma Fan Zhang, líder do Banco Mundial e autor principal do estudo. O relatório também destaca que regiões da África do Sul que enfrentaram secas mais severas apresentaram os maiores aumentos no nível do solo.

Impactos desiguais e efeitos sobre ecossistemas

Os efeitos da seca continental não são uniformes: atingem com mais força as populações mais pobres e aquelas dependentes da agricultura. No Sul da Ásia e na África Subsaariana, a perda de água chega a representar cerca de 10% da “renda” hídrica anual. Somente na África Subsaariana, as secas resultam na eliminação de entre 600 mil e 900 mil empregos por ano.

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A crise hídrica também representa uma ameaça à biodiversidade global. O relatório aponta aumento do risco de grandes incêndios florestais em pelo menos 17 das 36 áreas de maior riqueza biológica do planeta, afetando regiões como partes do Brasil, Madagascar e o Sudeste Asiático.

Caminhos para reverter a tendência

Apesar da gravidade do quadro, os autores indicam três vias principais para tentar reverter a perda de água continental:

- Eficiência agrícola: Como a agricultura responde por 98% do consumo global de água, ganhos mesmo modestos em eficiência podem gerar economias substanciais. Entre as medidas apontadas estão a irrigação de precisão e o cultivo de variedades menos dependentes de água.

- Comércio virtual de água: Países com escassez hídrica podem preservar seus recursos ao importar commodities que demandam muita água para produção — por exemplo, grãos e algodão — em vez de produzi-los internamente.

- Governança eficaz: Nações com políticas sólidas de gestão hídrica esgotam seus aquíferos de duas a três vezes mais devagar. Regulamentação, monitoramento e precificação adequada da água são citados como ferramentas fundamentais.

“Quando começamos a pensar em escalas de tempo de décadas, mudanças nas políticas públicas, inovações financeiras… acho que há algum motivo para otimismo”, observa Jay Famiglietti, hidrólogo e coautor do relatório. O estudo conclui que um futuro com uso sustentável da água é possível, mas exigirá ação coordenada e imediata em escala global.

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