PUBLICIDADE

Batalha pela Alma da IA: EUA em Guerra Regulatória entre Governo Federal e Estados

29/11/2025
295 visualizações
4 min de leitura
Imagem principal do post

Os Estados Unidos vivem um embate intenso sobre quem deve mandar na regulamentação da inteligência artificial: o governo federal ou os estados.

Enquanto a IA avança em um ritmo vertiginoso, Washington tenta estabelecer regras nacionais, mas encontra resistência de governos estaduais que já criaram suas próprias leis com foco na proteção dos consumidores. A disputa expõe um cenário de conflito regulatório em plena expansão.

---

### Big techs se rebelam contra leis descentralizadas

A ausência de uma estrutura federal robusta abriu espaço para que estados como Califórnia e Texas formulassem suas próprias normas sobre IA, priorizando segurança, transparência e prevenção de abusos. Esse movimento, porém, tem desagradado as grandes empresas de tecnologia, sobretudo no Vale do Silício.

PUBLICIDADE

Para essas companhias, o resultado é um mosaico regulatório complexo, em que cada estado passa a ter exigências diferentes — algo visto como um pesadelo operacional e jurídico, especialmente para startups e negócios em rápido crescimento.

Setores da indústria argumentam que essa fragmentação pode desacelerar a inovação e comprometer a competitividade global das empresas americanas. A queixa principal é que muitas leis são elaboradas por agentes públicos sem conhecimento técnico aprofundado sobre IA.

Como destacou Josh Vlasto, cofundador do super PAC pró-IA Leading the Future, em entrevista ao TechCrunch, quando o objetivo é impulsionar inovação tecnológica, torna-se problemático lidar com um fluxo constante de leis criadas por pessoas que não necessariamente dominam a complexidade da tecnologia.

Enquanto isso, o Congresso segue em ritmo lento na definição de normas claras para IA, o que fortalece a iniciativa dos estados e aumenta o incômodo das gigantes do setor.

---

### Washington reage: NDAA e ordem executiva em preparação

Nos últimos dias, o governo federal intensificou a ofensiva para retomar o protagonismo na regulação da inteligência artificial. Uma das frentes é a tentativa de inserir, na Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA), um dispositivo que restringiria a liberdade dos estados de criar suas próprias regras em determinadas áreas sensíveis, como segurança infantil e transparência.

Paralelamente, um rascunho vazado de uma ordem executiva da Casa Branca aponta para a criação de uma “Força-Tarefa de Litígios de IA”. A missão desse grupo seria justamente contestar, na Justiça, leis estaduais consideradas conflitantes com os interesses e diretrizes federais.

O documento também sugeriria que órgãos como a FTC (Federal Trade Commission) e a FCC (Federal Communications Commission) definam padrões nacionais capazes de se sobrepor às normas locais, consolidando um arcabouço regulatório mais centralizado.

Outro ponto polêmico do rascunho é o destaque dado a David Sacks, apontado como uma espécie de “czar” de IA e criptomoedas ligado a Donald Trump. Ele teria papel relevante na formulação da estratégia federal, o que adiciona uma camada política à disputa.

Sacks já se posicionou diversas vezes a favor do bloqueio de regulações estaduais, defendendo que o governo federal adote apenas uma supervisão mínima e deixe o restante para a autorregulação das empresas, com o argumento de que isso é fundamental para “maximizar o crescimento”.

---

### Estados aceleram e defendem independência regulatória

Na outra ponta desse embate, mais de 200 parlamentares assinaram uma carta defendendo que os estados continuem com autonomia para responder de forma ágil aos riscos e desafios trazidos pela IA.

Em 2025, 38 estados aprovaram mais de 100 leis relacionadas ao tema, muitas delas tratando de deepfakes, uso de IA por órgãos públicos e exigências de transparência na utilização da tecnologia. Esse volume de iniciativas contrasta com o andamento lento do Congresso e mostra como as assembleias estaduais têm preenchido o vácuo regulatório.

Esse cenário pode resultar em:

- Aumento de burocracia e custos para a implementação e operação de modelos de IA em múltiplos estados.

- Criação de Super PACs dedicados a financiar campanhas contra legislações estaduais consideradas excessivas.

- Maior exposição dos consumidores em locais onde as regras forem frágeis ou inexistentes.

- Influência direta do modelo regulatório adotado nos EUA sobre políticas de IA em outros países, dada a relevância do mercado americano.

---

### Em busca de um meio-termo

Alguns nomes em Washington tentam construir uma solução intermediária. Um deles é o deputado democrata Ted Lieu, da Califórnia, que prepara um pacote federal mais amplo para regulamentar a inteligência artificial.

A proposta abrangeria temas como fraude, proteção infantil, deepfakes e obrigatoriedade de testes para grandes modelos de IA. Lieu admite que o projeto não será o mais rígido possível, mas ressalta que a prioridade é aprovar alguma forma de regulação ainda neste mandato, antes que o cenário se torne ainda mais caótico, com estados avançando em direções diferentes e o governo federal perdendo de vez a capacidade de coordenar o tema em nível nacional.

PUBLICIDADE
Este post foi útil para você?

Leitura recomendada

💬 Comentários

Nenhum comentário ainda. Conte o que achou, tire uma dúvida ou discorde. Seja o primeiro!

Deixe seu comentário
O e-mail não aparece. Serve só para avisar quando responderem você.
Os comentários passam por aprovação antes de aparecer. Crie uma conta de leitor e, depois do primeiro aprovado, os próximos saem na hora.
Apoie o ConexãoTC

O ConexãoTC é independente e gratuito. Se as notícias fazem parte do seu dia, contribua com qualquer valor pelo PIX e ajude a manter o blog no ar.

QR code PIX para apoiar o ConexãoTC
Aponte a câmera do app do banco
Favorecido: Jean Dgardany C. Lima, editor do ConexãoTC
🗳️ O que você quer ler aqui?

Marque os assuntos que te interessam. Os mais pedidos viram os próximos artigos.

Leitores cadastrados têm as sugestões atendidas primeiro e recebem um aviso quando o artigo sai.
Fique por dentro

Os destaques do dia no seu e-mail, todo dia às 8h.

PUBLICIDADE